Fernando Buchhorn, 21, e Letícia de Almeida Pepe, 21, namoram há 3 anos. Liberdade e confiança foram conquistadas ao longo de 8 anos de amizade
Fernando Buchhorn, 21, e Letícia de Almeida Pepe, 21, namoram há 3 anos. Liberdade e confiança foram conquistadas ao longo de 8 anos de amizade | Foto: Gustavo Carneiro



Passar da hora até perceber que está tarde e perigoso pegar a estrada de volta. Dormir na casa do(a) namorado(a) é uma solução que começa com um pedido, depois com um aviso, até que seja natural a ponto de ser estranho não fazê-lo. Liberdade, individualidade, responsabilidade são as implicações de dormir junto mesmo estando na casa dos pais.

Oito anos de amizade, três de namoro. Fernando Buchhorn, 21, e Letícia de Almeida Pepe, 21, moram com os pais e perceberam que são uma exceção entre os amigos da mesma idade. "Tenho uma amiga que namorou por cinco anos e os pais não deixavam o namorado entrar no quarto dela", conta a estudante de Direito.

Não que com eles tenha sido tranquilo. No início, tiveram que passar pelas restrições dos donos da casa. "Os pais dela são mais tranquilos. Minha mãe torcia mais o nariz. No começo, tinha essa dúvida sobre dormir junto", afirma o namorado. "São liberdades que foram conquistadas, não é que chegou, já ficou posando, saiu em qualquer horário. Aconteceu mais por necessidade, a gente não dirigia, tinha que ficar pedindo para o pai buscar", explica a jovem.

Os dois entendem. Os pais casaram jovens e querem preservar o futuro dos filhos. "Acho que o principal medo dos pais é que a gente tenha filho muito novo, comprometer um tempo da vida, mas acho que a gente é de uma geração que está mais ligada com a informação, com a educação de querer se formar primeiro. Por mais que a gente durma junto, a gente precisou conquistar essa confiança", indica o estudante de Jornalismo.

Mesmo considerando esta afirmação, perceberam que entre os amigos esse não é um costume comum de quem mora com os pais, já que a obediência às regras prevalece, até com eles. "A gente tem poder de mando dentro do relacionamento. Já o poder de mando dentro da casa dos pais é limitado. A gente administra, entende o limite", explica o jovem.

Uma intimidade que exige responsabilidade. Classificam viver um relacionamento tradicional que não restringe o sexo. "A gente não vê muito sentido nisso, porque o amor não se resume só ao sexo. A gente não vai casar para fazer sexo, a gente vai casar porque quer conviver um com o outro. Sexo é só uma manifestação de amor", afirma Pepe. "Acredito que o propósito é até maior. Tem pessoas que casaram cedo para poder atingir essa finalidade. Nosso propósito é mais amplo que isso. De morar juntos, viajar juntos, viver juntos...", acrescenta Buchhorn.

Sair da casa dos pais faz parte do plano. Os dois afirmam que a liberdade não impede de desenvolver o futuro sozinhos, até porque ainda há restrições, e tudo que eles querem (e com o apoio dos pais) é construir um futuro ao lado de quem amam, independentemente de normas religiosas, culturais ou sociais.
"Vou me formar, arrumar um emprego bom e sair para morar com a Lê. Não tem uma ordem, a gente pode casar depois. A gente quer viver junto, não necessariamente se casar, mas se tiver dinheiro para casar, ok também", finaliza Buchhorn sob o olhar de concordância da namorada. (L.T.)

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