Nos próximos seis meses, no máximo um ano, o empresário Manoel Luiz Alves Nunes deve concretizar um projeto que derivou de um sonho antigo: a criação da Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) na sua propriedade em Tamarana, cerca de 70 quilômetros de Londrina. "Sempre que ia para Curitiba passava pela Serra do Cadeado e falava em comprar uma chácara ali em cima. Foram 17 anos pensando nisso, até que chamei um corretor e fomos visitar a região. De repente ele me mostrou uma área que parecia com aquela que eu sonhava, descemos para a estrada e eu tive a certeza", lembra.

Nunes queria uma chácara, mas acabou comprando uma área de 120 alqueires e que depois chegou aos 400 alqueires. "A ideia era um lugar só para ver o horizonte, para olhar de cima e estar mais perto do Criador", conta. A 1200 metros acima do nível do mar, a propriedade tem catalogadas até agora cerca de 37 nascentes. "A RPPN que foi projetada, usando uma expressão de engenharia, não bebe água de ninguém. Não recebemos água de vizinhos. Toda água nossa é produzida ali e vai acabar abastecendo o Tibagi. Somos um produtor de água e isso aumenta a nossa responsabilidade", explica o empresário.

Nos dois primeiros anos, as possibilidades da área ainda eram indefinidas para Nunes. "Até que em 2012 comprei a última parte que é o ponto dessa vista muito bonita. Li algumas reportagens sobre RPPN, conversei com biólogos e também com o proprietário da RPPN Manain, que em linha reta fica a três quilômetros da minha e que tem quase 400 hectares, como a minha", lembra.

Entusiasmado, Nunes deu início ao trabalho de levantamento e posteriormente o georreferenciamento, que já está pronto. "Nesse último ano a minha preocupação ficou mais com a empresa, então gastei pouco tempo com o projeto. Mas este mês tenho uma reunião com o IAP (Instituto Ambiental do Paraná) e após isso vamos ter que fazer um acordo de responsabilidade com a Prefeitura de Tamarana. A RPPN é a meta, mas ainda dependemos de alguns entraves burocráticos", explica.

Se por um lado o lugar tem tudo de maravilhoso, do outro tem problemas de acesso, segundo o proprietário. "A gente não pode começar um projeto e parar", avisa, cauteloso. "Quando você registra uma RPPN é perpétuo. Então a chance de voltar atrás é quase zero", completa. Mas o empresário não abre mesmo mão do legado verde. "Independente de RPPN, não vou mudar o espírito de conservação. A propriedade está bloqueada, desde o dia que comprei não saiu um pedaço de pau para fazer um cabo de vassoura que fosse", garante.

Hoje a propriedade tem 95 alqueires dedicados ao reflorestamento. "Fiz pensando na compensação de carbono. O eucalipto não devolve o gás carbônico", ensina. "Olha, não tenho interesse de fazer meu marketing com essa entrevista. Quero é que ela me traga a possibilidade que pessoas com ideias e parcerias me procurem. Eu ainda estou no embrião dessa ideia. Quero subsídios para não errar", diz. (Karla Matida)

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