Lágrimas lubrificam e protegem os olhos
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sexta-feira, 31 de agosto de 2018
Érika Gonçalves <br> Reportagem Local 
Complexos que somos, podemos chorar pelos mais diversos motivos: raiva, tristeza, alegria, saudades, empatia. Mas qual o processo pelo qual choramos e vertemos lágrimas? Pedro Antonio Nogueira Filho, especialista em córnea e superfície ocular e chefe do pronto-socorro do Hospital de Olhos explica que a secreção lacrimal é dividida em dois componentes distintos: a secreção reflexa e a secreção básica.
"A secreção reflexa resulta principalmente da atividade da glândula lacrimal e depende de uma ampla variedade de fatores, desde estimulações sensitivas em mecanismos associados ao estímulo funcional da glândula lacrimal, estímulos psíquicos, da retina e ações fisiológicas, como riso, bocejo ou vômito. A secreção básica também depende, em parte, da ação direta da glândula lacrimal. Existe um movimento lacrimal permanente, pois à medida que ocorre produção lacrimal, há também a sua drenagem", descreve.
Mesmo que os motivos sejam diferentes, a lágrima sempre será composta dos mesmos elementos, sendo descrita como uma substância como uma película líquida que reveste a superfície da córnea e da conjuntiva (membrana tênue e transparente que fica sobre a superfície interna das pálpebras e a parte branca dos olhos). "A lágrima é composta por três porções que se interagem tridimensionalmente (uma porção lipídica/gordurosa; outra aquosa, basicamente água; e finalmente a mucosa; capaz de se aderir a superfície do olho). Cada uma delas possui elementos, características e propriedades específicas e que se interagem", diz ele.
Sendo assim, as lágrimas não são apenas um indicativo de que estamos chorando, mas também têm a função de lubrificar e proteger nossos olhos, por exemplo, expulsando um corpo estranho, como um cisco. Nogueira Filho aponta que esse cisco acaba por estimular a glândula, que aumenta o volume lacrimal na tentativa de "lavar" a superfície dos olhos.
Cebola
É justamente isso que acontece quando cortamos cebolas. O médico explica que, ao ser cortado, o vegetal libera uma enzima que em contato com a lágrima desprende um gás que gera intolerância na superfície dos olhos. "Como mecanismo de proteção, existe um estímulo direto na glândula lacrimal para que intensifique sua produção, que passa a ser exacerbada e em quantidade suficiente para que seja desperdiçada, lavando assim a superfície dos olhos daquela substância hostil. Para se evitar tal condição pode-se estar próximo de um ventilador quando for cortar as cebolas, pois assim o gás será mais facilmente disperso no ambiente não gerando o estímulo irritativo à superfície dos olhos. Outra opção é molhar as cebolas, para que o tal ácido seja formado antes de entrar em contato com a lágrima", ensina.
Olho seco
O oftalmologista explica que há pessoas que não produzem lágrimas, o que recebe o nome técnico de "olho seco hipossecretor, condição esta secundária ao comprometimento da própria produção da lágrima ou dos ductos responsáveis pelo escoamento deste filme lacrimal."
Doenças reumatológicas, autoimunes e infecciosas, além dos tratamentos como radioterapias locais ou ainda outras situações que levaram a um transtorno definitivo e irreversível do sistema de produção e/ou drenagem da lágrima podem produzir essa condição. Nestes casos o paciente necessita de acompanhamento médico oftalmológico criterioso e pode ser tratado com medicamentos sistêmicos chamados de secretagogos e que induzem ao lacrimejamento, lágrimas artificiais em forma de colírios e géis oftalmológicos.
"Há ainda a possibilidade de se obstruir o sistema de escoamento da lágrima, permitindo assim maior tempo de contato do filme lacrimal com a superfície ocular, além de procedimentos cirúrgicos tal como o transplante de glândulas salivares retiradas da boca e implantadas na superfície interna das pálpebras para os casos mais graves", afirma ele.
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