Juntos na rotina doméstica
Na casa da psicóloga Vívian Karina da Silva e do designer Tiago Silvestre Cábola os dias são pensados de forma a encaixar na agenda os compromissos profissionais e pessoais de cada um e também as necessidades do filho do casal, Ian, de 3 anos. Karina conta que por conta da profissão sempre discutiu sobre a infância e o desenvolvimento infantil, mas que depois que se tornou mãe, as coisas mudaram um pouco. "Ser mãe é tentativa e erro. Não existe uma receita, existe a prática e a reflexão dessa prática", lembra.
Por escolha dos pais, o menino foi para a escola apenas após completar 3 anos e uma das preocupações era encontrar uma instituição que respeitasse o momento de brincar. Depois de alguma busca, finalmente encontraram uma que atendesse as expectativas do casal, e segundo ela, Ian não teve nenhuma dificuldade em se adaptar.
Estudando à tarde, durante as manhãs ele fica com a mãe em casa, e Karina conta que procura sempre reservar uma parte do dia para levar o filho para brincar em uma área verde. "A grande questão é a organização. De manhã já penso no que preciso fazer, reservo um tempo para ele e depois digo que preciso fazer o almoço, que tenho compromissos. É importante os filhos verem que os pais não são perfeitos, que falham, eles precisam aprender a se frustrar também", diz.
Com grande interesse pela cozinha, Ian "ajuda" a mãe no almoço, buscando temperos na horta de casa e cozinhando com ela em seu fogãozinho de brinquedo. Juntos eles fazem piquenique e também os presentes de aniversário dos amiguinhos, como plantinhas cultivadas pelo garoto ou brinquedos feitos por ele. Karina conta que o filho nunca teve contato com jogos eletrônicos e também não costuma ver televisão, apenas poucos desenhos animados. "Evito levá-lo ao shopping também, ele fica muito agitado, tem muitos estímulos lá."
Ian também gosta de auxiliar o pai a fazer bolos, um hobby que se tornou uma renda extra para a família. Segundo a mãe, Ian já sabe quais os ingredientes são necessários, ajuda a separá-los e a mexer a massa, sempre no seu tempo. "Educar assim dá mais trabalho, mas é importante não julgar. Meu esposo e eu somos companheiros, dividimos tudo tarefas domésticas, cuidados com o Ian, mas nem todas as famílias são assim."
Os pais têm consciência de que o menino ainda está descobrindo as coisas e não criam expectativas sobre o que ele será quando crescer. "Percebemos o que ele gosta e damos espaço para que faça isso, mas ele irá ser o que quiser. Queremos deixá-lo descobrir por ele mesmo o que gosta, inclusive sobre gênero. Aqui não tem isso de coisas de menina ou coisas de menino. Ele brinca de carrinho e de boneca. A avó o presenteou com um fogão rosa, porque não encontrou de outra cor e não vejo problema em ele ter um fogão rosa. Os adultos precisam repensar sobre seus conceitos de gênero. Os filhos aprendem por imitação, eles nos observam. Precisamos refletir sobre nós, para que possamos cuidar do outro" , afirma Karina. (E.G.)