Com uma convivência não tão estreita, já que não compartilham elevadores e outras estruturas de uso comum, quem mora em casa acaba se unindo por necessidades semelhantes, como a insegurança. Mas também descobrem bons amigos e criam laços de amizade, como os moradores de uma rua na região oeste de Londrina.

Helena Nagao, Bianca Sioffi, Sueli Arruda e o casal Dorival e Jurema Pagnoncelli  moram na mesma rua há vários anos
Helena Nagao, Bianca Sioffi, Sueli Arruda e o casal Dorival e Jurema Pagnoncelli moram na mesma rua há vários anos | Foto: Celso Pacheco



Vítimas de assaltos frequentes, eles procuram cuidar das casas uns dos outros e vão além do programa de vizinho solidário. Uma das primeiras famílias a se mudar foi a da estudante Bianca Sioffi. Depois vieram as famílias das aposentadas Helena Ogata Nagao e Sueli Arruda. Por fim, chegou a família do casal Dorival Pagnoncelli e Jurema de Mattos Pagnoncelli.

Com 12 anos de convivência, Helena é chamada de "tia" por Bianca, que também ficou na casa da vizinha algumas vezes quando a mãe precisava sair. Professora, Helena também já deu aula para os filhos dos vizinhos. A tradicional troca de mantimentos em casos de "emergência" culinária também acontece entre eles.

Fazendo parte do mesmo grupo de casais da igreja e também morando lado a lado, Sueli e Helena afirmam que são mais próximas entre si e cuidam da casa uma da outra quando alguém viaja. "Avisamos e aí o vizinho recolhe a correspondência, deixa uma luz acesa durante a noite, dá uma arrumadinha para não parecer que a casa está abandonada. Quando a Helena viaja eu vou cuidar da cachorrinha dela, tenho a chave. Também trocamos receitas e pratos", explica Sueli.

Helena brinca que às vezes encontra a frente da casa varrida e sabe que foi algum dos vizinhos. Segundo ela, sempre que alguma nova família chega ao bairro é recebida pelos vizinhos. "Como a maioria de nós frequenta uma paróquia aqui perto, convidamos para ir à missa, informamos os horários. Procuramos manter um bom relacionamento com todos, mesmo com aqueles que não moram no mesmo quarteirão que nós", diz.

Jurema conta que por trabalhar em casa está mais presente e ajuda a cuidar das casas dos vizinhos. Já Bianca, por morar em um sobrado, tem a vista mais privilegiada e avisa quando percebe algo estranho. "Um carro parado por muito tempo com gente dentro, por exemplo, é motivo de alerta. Outro dia viram que o portão da minha casa estava aberto e me avisaram. Uma das vezes que a minha casa foi assaltada foi um vizinho que me avisou, porque viu minha cachorra na frente da casa, sendo que ela nunca fica ali", explica Helena

Os vizinhos também têm uma lista com o telefone de todos e pensam agora em fazer um grupo de WhatsApp, para facilitar a comunicação. "Temos o sistema de apito, mas nem sempre conseguimos ouvir, pelo telefone seria mais rápido", pensa Bianca. (E.G.)

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