Resolver conflitos através do diálogo é uma boa saída, mas nem sempre simples. Para auxiliar nessa questão, surgiu o trabalho do mediador, que além de ter uma preparação, seguindo técnicas e métodos regulados pelo CNJ (Conselho Nacional de Justiça), também envolve ter muito jogo de cintura para poder contribuir com todas as partes envolvidas.

“É um processo que se distancia do método utilizado no poder judiciário, porque o mediador é um terceiro imparcial, a função dele é aproximar as partes para que elas busquem falar sobre o conflito e depois, em uma segunda etapa, busquem diálogo para tentar resolver”, explica a mediadora Ana Lúcia Silveira, que é advogada. As etapas exigem imparcialidade, isonomia entra as partes, oralidade, informalidade, autonomia da vontade das partes, busca do consenso, confidencialidade e boa-fé.

De acordo com a mediadora, qualquer conflito pode utilizar esse método, mas alguns são mais adequados – e mais comuns - para esse processo, como os ligados a direito de família, questões condominiais, entre vizinhança e brigas de trânsito, por exemplo. Em todas as fases é preciso ter muita empatia e gerar confiança necessária para que o diálogo individual demonstre as reais queixas intrínsecas no problema.

“Todo conflito nasce de interesses, necessidades não atendidas e, muitas vezes, a maneira como as partes se posicionam e dizem o que querem de início não é o que elas realmente querem. Elas querem muito mais, como atenção, um pedido de desculpa, um reconhecimento sobre uma contribuição que uma deu na vida da outra, são necessidades que o mediador vai detectar”, afirma. O processo não é obrigatório, mas está à disposição do cidadão para solucionar problemas de forma mais célere e objetiva.

Imagem ilustrativa da imagem Jogo de cintura com preparação
| Foto: Folha Arte

CONFLITOS

As técnicas de resolução de conflito colocadas pela cartilha do CNJ são baseadas na negociação de princípios, tendo como precursores Willian Ury e Roger Fisher, do livro Como Chegar ao Sim. Silveira afirma que transformar o problema em solução é um processo construtivo e as técnicas apresentadas na formação orientam para que os mediadores saibam lidar com a situação da maneira mais positiva.

“Ele deve ouvir, ter escuta ativa de forma positiva, sem julgamento e não pode pensar em soluções naquele momento, ele tem que estar realmente livre para ouvir os problemas e identificar o que envolve aquele problema e o que ela quer resolver realmente. Nós temos um caderno e separamos: sentimentos, questões e interesses e, normalmente, você encontra interesses convergentes entre as partes, não é só um contra o outro”, explica. Para isso, o mediador precisa desenvolver habilidades para que as partes busquem alternativas e soluções criativas, que saiam de um padrão para ampliar as possibilidades de resolução.

JOGO DE CINTURA

Para poder auxiliar o processo a ponto de transformar um conflito em solução é preciso ter, além de tudo já dito, jogo de cintura. “É um jogo de cintura com preparação pessoal e de estudos que esse mediador precisa ter, porque é uma profissão, então deve haver consciência de que ele se desenvolva para lidar com pessoas, fazer isso com a técnica exigida por lei, mas ele deve ter, sim, jogo de cintura”, brinca.

A atividade permitiu que a própria mediadora levasse suas técnicas para fora da mediação. “Eu aprendi muito estudando a mediação. Às vezes as pessoas chegam muito estressadas, então, eu percebo que quando você olha para elas, dá uma atenção, explica, é compreensivo com aquilo que estão trazendo, tem uma empatia, você cumprimenta dando as mãos, com um sorriso, eu aprendi que eu consigo desenvolver muito essa técnica para lidar com as pessoas. É uma construção, todo dia a gente está fazendo, mas achei que foi muito bom para mim”, indica.

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