Hora de dar 'play' na vida
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sexta-feira, 13 de julho de 2018
Lais Taine<br>Reportagem Local 

Poderia dizer que se trata dos 50 com corpinho de 30, mas é mais que isso. Os cinquentões de hoje estão mais ativos, experientes, independentes e confiantes. A expectativa de vida do brasileiro assinala que ainda há tempo e, com ele, a possibilidade da transformação. Desejo de outra carreira, novos relacionamentos, cursos, viagens, experiências que os compromissos anteriores não permitiram voltam à tona para quem considera os 50 a oportunidade para realizar sonhos com maturidade.
Em 1940 a expectativa de vida no Brasil era de 45,5 anos. Já em 2016, era de 75,8 anos. Os dados da Tábua completa de mortalidade para o Brasil 2016, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), mostra que as pessoas de 30 anos de antigamente estavam vivendo a mesma fase da vida que os de 50 atuais. "Com conhecimento sobre saúde e hábitos que são importantes para a manutenção da qualidade de vida, quem chega hoje aos 50 anos, chega com boas condições de saúde e demanda que os trintões tinham antes", admite Carlos Uehara, presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia.
Avanços sociais e na ciência possibilitaram tratamento e controle de doenças com propostas menos agressivas. "Além do conhecimento que a gente adquiriu ao longo do tempo, as possibilidades de medicação mudaram. Hoje oferecemos opções terapêuticas com menos efeitos colaterais e com acesso a todos por meio da rede pública. Qualquer pessoa pode chegar bem aos 50", afirma o geriatra.
Contudo, chegar bem aos 50 exige mais que evitar e tratar doenças, a heterogeneidade da velhice demonstra que cada pessoa tem características que vão resultar em corpo e mente preparados para aproveitar melhor a maturidade. "Eu posso ter um idoso de 80 anos extremamente independente e um idoso de 60 que está doente, acamado. Se pegarmos 20 idosos de 60 anos, vai ter desde aquele maratonista até aqueles com doenças não controladas", relata.
FÓRMULA
Mas antes da velhice, há a maturidade. Se os idosos estão alcançando sua faixa etária bem, os cinquentenários vão melhor ainda, isso devido também ao acesso à informação para lidar melhor com a própria saúde, pois, segundo o especialista, todo mundo já sabe o que deve fazer para chegar bem aos 50: evitar o estresse, ter bons hábitos alimentares e praticar atividade física. No entanto, cita questões muitas vezes deixadas de lado. "Sempre buscar novos conhecimentos e manter-se socialmente ativo", indica.

AINDA É TEMPO
As orientações de cuidado com a saúde são para a vida toda. Ainda que o auge físico seja aos 30 anos e decaia conforme o tempo, quem chegou aos 50 sem se atentar a essas questões ainda pode correr atrás do tempo perdido. "Quem tem hoje 50 anos tem uma possibilidade muito grande de chegar até os 90, por isso é importante pensar para frente", avisa o geriatra.
Ter consciência de que os 50 são só o início da segunda fase da vida e que ainda há muita coisa para construir exige um exercício de planejamento. "Está mais do que na hora de pensar em como eu quero estar daqui a 15 anos (que é quando vai chegar à fase idosa). Então tem que tomar decisões hoje. Poupar dinheiro, iniciar a atividade física regular (quem ainda não começou), ter hábitos saudáveis alimentares e sempre buscar fazer coisas novas", aconselha.
Fisicamente, a vitalidade dos cinquentenários aponta que se no fim estamos todos envelhecendo, a idade é só um mero detalhe. "Envelhecimento é um processo longo da vida, a gente nasce e já começa a envelhecer. O conceito de velhice ou idoso é uma construção social. Antes o velho era quem tinha 45, 50 anos. Na década de 1990 era o que tinha 60 anos. Hoje, a gente talvez possa falar que o velho é quem tenha 70 anos. Vai variando de acordo com o tempo", finaliza.


