Carlos Rodrigues Junior, cabeleireiro e maquiador: "Homem não tem que usar isso e mulher aquilo. Saia é tão confortável, por que não?" Veja vídeo utilizando a tecnologia da Realidade Aumentada
Carlos Rodrigues Junior, cabeleireiro e maquiador: "Homem não tem que usar isso e mulher aquilo. Saia é tão confortável, por que não?" Veja vídeo utilizando a tecnologia da Realidade Aumentada | Foto: Gustavo Carneiro



A saia é uma vestimenta feminina? Por conforto, liberdade, desconstrução de gênero ou atitude política, homens também optam pelo modelo e, mais que aceitação, o estilo é afirmação de identidade. Mulheres estão mais avançadas quanto ao uso de roupas masculinas, agora é a vez dos homens se colocarem fora do padrão estabelecido.

"Homem não tem que usar isso e mulher aquilo. Saia é tão confortável, por que não?", afirma Carlos Rodrigues Júnior, 23. O cabeleireiro e maquiador usa a peça há aproximadamente quatro anos. A influência veio de amigos que já adotaram o estilo, mas a decisão de pegar para si é completamente dele, até porque ainda há enfrentamento social quanto ao uso. "É uma sensação de liberdade, eu posso usar o que eu quiser. Às vezes ouço uma piadinha, mas não me incomodo", afirma.



Jean Thallis, 25, é escritor e usa saia ocasionalmente. "Eu visto o kilt (saia masculina) em locais mais alternativos, em alguns bares e festas, onde eu sei que vão ter mais aceitação", conta. O kilt possui um corte diferente e é voltado para o público masculino. "Eu comprei em sites específicos, aqui na cidade não se encontra esse tipo de vestimenta", informa.

Thallis conta que o fato de usar saia não atrapalha em seus relacionamentos, mas que já enfrentou olhares estranhos. "As minhas namoradas entendiam, nunca tive um problema com elas. Mas já enfrentei preconceito na rua e na empresa em que eu trabalhava, fui proibido de usar saia lá", lembra.
Rodrigues é gay, mas afirma que a saia faz parte do seu estilo e não da sua privacidade. "Não é uma peça de roupa que vai definir minha sexualidade", defende. Com estilo masculino, o cabeleireiro e maquiador recebeu a FOLHA usando uma camiseta, saia plissada com comprimento abaixo do joelho e tênis. "É questão de conforto também, tenho uns quatro modelos, mais camisetões e vestidos", afirma.

Sair na rua de saia nunca provocou algum problema para Rodrigues, mas a família orienta para que ele tome cuidado com o preconceito. "Minha mãe sempre fala que é perigoso e, dependendo da ocasião, pode ser mesmo, mas eu frequento lugares onde as pessoas não se importam com isso", conta.
Thallis usa porque, acima de tudo, acha o kilt esteticamente bonito e acredita que a peça não o torna feminino. "Assim como as roupas comuns não me tornam mais masculino. Usar saia passa uma ideia de subversão, acho que influenciada pelo personagem Vingador (Caverna do Dragão). Mas a saia não transforma a pessoa que eu sou", argumenta.

Diferente de Thallis, Rodrigues busca por peças na cidade e consegue com alguns amigos do meio da moda que acabam fazendo sem caráter comercial, quando não consegue, arrisca um modelo feminino mesmo. "Eu já fui na loja e peguei uma saia feminina para provar. Eu vejo qual está com o corte menos característico e experimento, não ligo muito para o que vão pensar", argumenta.

Para o cabeleireiro, o estilo é também um ato político. "Eu me acho estiloso, mas também não tenho muitas regras para me vestir". Fora do padrão social, acredita que usar aquilo que se gosta é uma forma de liberdade. "A gente tem que tentar passar aquilo que a gente é, se você não se sente bem, não use. Mas se você gosta, não tem porquê alguém falar alguma coisa", defende.

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