O apego emocional àquele colar ou anel que um dia foi da avó ou da mãe normalmente é grande. Além da questão material, o valor é maior quando se considera toda a memória que a peça carrega. É por isso que, conforme manda a tradição, muitas dessas joias são repassadas de mãe para filha, viajando no tempo de geração em geração. Juliana Côrtes Jabur, 51, mantém esse costume, mas antes de entregar as joias às filhas, ela promove atualização das peças, criando novo desenho reutilizando o antigo material.

"Ao mesmo tempo que eu tenho apego em alguma peça que já está comigo há algum tempo, que era da minha mãe ou da minha avó, eu tenho o desapego para transformá-la em algo novo para as minhas filhas", conta a confeiteira. Dessa forma, se tornou cliente de ourives responsável por derreter uma peça antiga em uma forma nova. "Não deixa de ser vintage, foi feito com aquele material", justifica.

O processo que ela chama de atualização vem cheio de simbolismos. "Eu não ligo para o valor, eu acho que tem que enxergar naquele presente o simbolismo do momento, como a aliança para o casamento, anel para a formatura. Eu sempre uso alguma coisa que eu já tenho e transformo, porque não é o valor, aquilo foi pensado para você, pôs no papel, é um trabalho personalizado, extremamente artesanal", argumenta.

Quando Jabur decide presentear as duas filhas, uma de 28 e outra de 27, com uma joia, ela mesma cria um desenho e leva ao ourives para avaliar a possibilidade, lá o técnico determina o que será preciso para chegar ao resultado esperado. "Aquela pedra que às vezes nem é um brilhante tão valioso, mas você olha na sua filha e aquilo virou um brinco ou solitário para ela, eu acho interessante atualizar a joia", afirma.

Com base nesse pensamento, une a história do material à contemporaneidade do desenho. Passado e presente juntos ressignificados em um objeto de valor comercial e sentimental a ser reutilizado. "A maioria das pessoas pensam no valor de mercado, mas para mim o que importa é o valor sentimental, de lembrança mesmo, de saber que aquilo está passando de geração em geração e que as pessoas que vão usar vão lembrar do passado", define. (L.T.)

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