Lírica Aragão revela que a aceitação de si mesma exigiu um processo: "Foi um período longo, mas se eu não me amar, quem vai?"
Lírica Aragão revela que a aceitação de si mesma exigiu um processo: "Foi um período longo, mas se eu não me amar, quem vai?" | Foto: Arquivo Pessoal


Não foi fácil, mas Lírica Aragão, 28, passou por um processo de aceitação até chegar ao nível de consciência atual. Se aos 15, enfrentou bulimia, aos 28, esbanja autoconfiança nas redes sociais. "Eu só fui aceitar meu corpo com uns 20 anos. Foi um processo longo, de usar roupas, de elogiar meu corpo, passei por casos de gordofobia, mas se eu não me amar, quem vai? Tive que ler muito e me conectar com outras mulheres", conta a fotógrafa.

Entre as imagens publicadas, a beleza real do corpo feminino que não quer se esconder, pelo contrário, exibe como mensagem política de valorização, mas algumas pessoas se incomodam. "Já sofri com xingamentos na internet, porque publico imagens de uma mulher gorda de sutiã e maiô", aponta.

Gorda. Palavra que as pessoas têm medo de utilizar. "Eu sou gorda, não sou gordinha. As pessoas que me conhecem estão acostumadas, elas sabem que eu gosto que me chamem de gorda", afirma. Mas reconhece que a palavra ainda gera conflitos. "Boa parte se sente ofendida, mas eu já me aceitei como sou e sempre corrijo essa coisa do diminutivo. Geralmente, quem fala assim comigo (cheinha, gordinha) é porque não me conhece", aponta.

A palavra "gorda" carrega conceitos estabelecidos na sociedade, os estereótipos vão desde pessoa que se alimenta mal até ao comportamento preguiçoso e relaxado. "Nós, mulheres gordas, perante a sociedade somos pessoas doentes, mas sou gorda e saudável", afirma. Por isso, Aragão é engajada e acredita que falar sobre o assunto ajuda no conforto e autoaceitação das pessoas que estão fora do padrão de beleza estabelecido.

Mas tudo é um processo. Enquanto algumas pessoas se sentem valorizadas e à vontade para participar de uma sessão de fotos, outras acreditam que o assunto de aceitação e gordofobia não passa de "mimimi". "Sempre vai ser para pessoas ignorantes, mas nenhuma militância é 'mimimi'. Falta empatia, falta querer se abrir para a informação e culturas diferentes. As pessoas não querem aceitar o que é diferente, porque é muito confortável para elas manterem esse padrão", argumenta.

Da outra ponta, recomenda a abertura da discussão. "Qualquer movimento social é importante e tem que estar aberto, explicar o que é, como funciona, e eu sei que existem aqueles que não estão dispostos a discutir, mas não adianta fazer parte de um movimento e não debater o assunto", critica. Nesse contexto, afirma que todos são livres para opinar, sem ofensas, considerando a situação de quem vive o dia a dia no corpo de quem sofre preconceitos. (L.T)

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