Descontente com a vida que levava no Brasil, Juliana Cássia Lopes, 42, mudou-se para Lisboa deixando o emprego fixo e um relacionamento que não ia bem. "Eu estava cansada, as coisas complicadas, tudo caro no Brasil. A minha intenção era voltar logo, eu não sabia o que iria me esperar aqui do outro lado, mas eu gostei e fiquei", conta.

Já faz 15 anos que ela se mudou. Para encontrar o primeiro emprego foram necessários três dias e uma conversa com amiga que já vivia no local. "Ela falou que o chefe dela estava precisando de gente em um restaurante e eu fui", conta. Em um mês de experiência, recebeu proposta para o mesmo restaurante. "Aí ficou muito bom, eu passei a ganhar como um médico no Brasil", exemplifica.

Restaurante próprio dentro da força aérea portuguesa
Restaurante próprio dentro da força aérea portuguesa | Foto: Arquivo pessoal



Apesar da comparação, Lopes afirma que não é tão simples como muitos pensam. "Aqui você ganha bem, mas vive em euro. As pessoas convertem achando que é muito dinheiro", aponta. Segundo ela, não é apenas o salário que a mantém lá, mas sim qualidade de vida, segurança e as oportunidades.

Nesse tempo, ela trabalhou em três restaurantes, casou-se de novo, teve outro filho, e a filha que vivia no Brasil hoje mora com a família em Lisboa. "A qualidade de vida não se compara. Meus filhos têm segurança, boa escola, estudam bem, têm boa educação aqui", aponta.

Juliana Cássia Lopes com o marido e filhos
Juliana Cássia Lopes com o marido e filhos | Foto: Arquivo pessoal



Para viver lá, Lopes passou um tempo na ilegalidade até conseguir documento que a formalizasse como cidadã. Atualmente, ela gerencia restaurante próprio dentro da força aérea portuguesa. "No começo foi difícil, como são todos militares, sofri um pouco de opressão. Minha equipe é toda de mulheres brasileiras e hoje eu fico feliz, porque aqui os brasileiros são mal vistos, principalmente mulher, pois teve um período em que muitas vinham para se prostituir e isso deixou uma mancha. Eu consegui virar essa página", orgulha-se.

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CRISE EUROPEIA
Ao mesmo tempo, ela vê uma mudança em relação aos estrangeiros. "Portugal foi um dos países que mais sofreu com a crise na Europa em 2008. Antes eles criticavam muito a gente, mas eles também tiveram que emigrar. Hoje o país tem muitos idosos, porque os jovens daqui vão para outros países da Europa, isso mudou um pouco a visão deles", afirma.

Lopes conta que a economia do país cresceu muito e hoje vive um momento muito bom, mesmo assim, é preciso conquistar o seu espaço como ela tem feito no decorrer dos anos. "Eu digo que é um país de oportunidade, mas não vai cair do céu. Precisei conquistar a confiança das pessoas aqui", aponta.

Nesse processo, voltou ao Brasil em 2014, mas retornou a Portugal em 2016. "Não consegui me adaptar, foi uma sensação triste, porque é o meu país. Quem sabe o Brasil não chegue a esse patamar? Eu gostaria de um dia poder falar tão bem do Brasil como eu falo de Portugal", torce.

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