'Gostaria de um dia poder falar bem do Brasil'
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sexta-feira, 28 de setembro de 2018
Lais Taine<br>Reportagem Local 
Descontente com a vida que levava no Brasil, Juliana Cássia Lopes, 42, mudou-se para Lisboa deixando o emprego fixo e um relacionamento que não ia bem. "Eu estava cansada, as coisas complicadas, tudo caro no Brasil. A minha intenção era voltar logo, eu não sabia o que iria me esperar aqui do outro lado, mas eu gostei e fiquei", conta.
Já faz 15 anos que ela se mudou. Para encontrar o primeiro emprego foram necessários três dias e uma conversa com amiga que já vivia no local. "Ela falou que o chefe dela estava precisando de gente em um restaurante e eu fui", conta. Em um mês de experiência, recebeu proposta para o mesmo restaurante. "Aí ficou muito bom, eu passei a ganhar como um médico no Brasil", exemplifica.

Apesar da comparação, Lopes afirma que não é tão simples como muitos pensam. "Aqui você ganha bem, mas vive em euro. As pessoas convertem achando que é muito dinheiro", aponta. Segundo ela, não é apenas o salário que a mantém lá, mas sim qualidade de vida, segurança e as oportunidades.
Nesse tempo, ela trabalhou em três restaurantes, casou-se de novo, teve outro filho, e a filha que vivia no Brasil hoje mora com a família em Lisboa. "A qualidade de vida não se compara. Meus filhos têm segurança, boa escola, estudam bem, têm boa educação aqui", aponta.

Para viver lá, Lopes passou um tempo na ilegalidade até conseguir documento que a formalizasse como cidadã. Atualmente, ela gerencia restaurante próprio dentro da força aérea portuguesa. "No começo foi difícil, como são todos militares, sofri um pouco de opressão. Minha equipe é toda de mulheres brasileiras e hoje eu fico feliz, porque aqui os brasileiros são mal vistos, principalmente mulher, pois teve um período em que muitas vinham para se prostituir e isso deixou uma mancha. Eu consegui virar essa página", orgulha-se.
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CRISE EUROPEIA
Ao mesmo tempo, ela vê uma mudança em relação aos estrangeiros. "Portugal foi um dos países que mais sofreu com a crise na Europa em 2008. Antes eles criticavam muito a gente, mas eles também tiveram que emigrar. Hoje o país tem muitos idosos, porque os jovens daqui vão para outros países da Europa, isso mudou um pouco a visão deles", afirma.
Lopes conta que a economia do país cresceu muito e hoje vive um momento muito bom, mesmo assim, é preciso conquistar o seu espaço como ela tem feito no decorrer dos anos. "Eu digo que é um país de oportunidade, mas não vai cair do céu. Precisei conquistar a confiança das pessoas aqui", aponta.
Nesse processo, voltou ao Brasil em 2014, mas retornou a Portugal em 2016. "Não consegui me adaptar, foi uma sensação triste, porque é o meu país. Quem sabe o Brasil não chegue a esse patamar? Eu gostaria de um dia poder falar tão bem do Brasil como eu falo de Portugal", torce.


