Jocimar Rodrigo Serra está na terceira atualização do carro de mensagens: "Eu amo o que faço, eu trabalho emocionando pessoas". Veja vídeo utilizando a tecnologia da Realidade Aumentada
Jocimar Rodrigo Serra está na terceira atualização do carro de mensagens: "Eu amo o que faço, eu trabalho emocionando pessoas". Veja vídeo utilizando a tecnologia da Realidade Aumentada | Foto: Ricardo Chicarelli


Quando o carro encostou lá fora, a neta já estava esperando em segredo. Então foi dada a liberação e o carro começou a entrar no quintal, tinha luzes piscando e a mensagem começou enquanto a música tocava ao fundo. A família percebeu o movimento e se aproximou. A mãe veio curiosa e emocionada receber a surpresa que os filhos prepararam. O sorriso era tímido, mas eles se abraçaram para dar apoio e ouvir a mensagem.



Marlene da Silva completou 53 anos e comemorava o aniversário com a família em uma chácara na zona sul de Londrina. "Eu sempre tive vontade de receber um carro desses, porque eu já tinha feito para a minha filha, mas nunca tinha recebido. Eu fiquei muito feliz com a homenagem", conta. Cristiane da Silva, umas das filhas de Marlene, foi quem contratou o serviço.

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Receber um carro de mensagens pode parecer constrangedor para alguns, mas é o sonho de outros. Jocimar Rodrigo Serra percebeu o mercado e abriu a sua empresa, há dez anos, quando eram mais comuns as mensagens por telefone. Aos poucos a demanda foi mudando, e fazer surpresa presencial se tornou seu carro-chefe. "Nós começamos com um carro mais simples, mas hoje já estamos na terceira geração do veículo, que é maior, tem mais espaço para carregar os equipamentos", explica.

Com dois funcionários, Serra se sustenta fazendo surpresas para as pessoas. Com trabalho personalizado, ele consegue ter fins de semana e feriados cheios. "São os dias que as pessoas fazem festas. E o valor é atrativo para ocasiões de comemoração, se uma família for comprar um presente, não consegue muita coisa, mas uma mensagem pode tornar o momento inesquecível", defende.

Mas há quem queira sacanear outra pessoa. Neste caso, Serra tem cuidado. "Dependendo do lugar eu não faço, já pediram para fazer em frente a uma boate e eu não aceitei. Nós até fazemos mensagens em tom de brincadeira, mas o que faz diferença de emocionar ou constranger é a forma como se entrega o serviço." Em locais de trabalho, o veículo só sai com a autorização do patrão e em ambientes públicos exige uma avaliação, de tráfego, da região, local para estacionar e horário. No início da carreira, Serra conta que acatou o pedido do cliente e acabou levando uma multa.

Sobre os que não gostam desse tipo de homenagem, o empresário afirma que foram raras às vezes que tiveram algum tipo de problema. Em reconciliações o risco é maior, por isso conversa muito com o cliente antes para evitar frustrações. "Nós procuramos entender o motivo, porque já houve uma vez que a pessoa pediu para parar e nós tivemos que sair devagarzinho, isso é ruim para a gente também", explica. Há também quem diga que não gosta, mas quando recebe se emociona. "Eu acho que ninguém poderia negar uma demonstração de amor e carinho, independente de como seja."

O trabalho exige responsabilidade e dedicação. Nos dias em que as famílias estão comemorando unidas, Serra está trabalhando para que elas continuem bem. "Quando está todo mundo junto, Dia das Mães, Dia dos Pais, Dia dos Namorados, eu estou longe dos meus, entregando o serviço." Mas não lamenta, agradece. Quando teve a oportunidade, também já usou o serviço para homenagear a própria família, assim como já recebeu.

Serra acredita no poder das palavras na hora de encantar alguém. "Eu me emociono ainda, eu tenho o privilégio de participar de um momento especial da pessoa, então eu faço como se fosse a própria família falando." Afirma que trabalhar no ramo de surpresas tem seus percalços, mas pode ser gratificante. "Eu amo o que faço, eu trabalho emocionando pessoas."

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