Imagem ilustrativa da imagem Flores públicas
| Foto: Fotos: Ricardo Chicarelli
O Viveiro Municipal possui hoje 20 mil mudas de flores e 27 mil mudas de árvores, mas o ideal para uma cidade do porte de Londrina seria uma produção de mais de 60 mil árvores. Veja vídeo utilizando a tecnologia da Realidade Aumentada



Quem passeia por Londrina pode sentir falta de uma coisa: das flores. A cidade chama a atenção com os ipês floridos antes do início da primavera, mas o jardim ainda é tímido. Os espaços públicos esperam por novas cores, mas a realização só é possível com a iniciativa da prefeitura e apoio da comunidade.

A equipe da FOLHA percorreu a cidade na busca das flores públicas, mas esse encontro foi difícil. A gerente de Áreas Verdes da Sema (Secretaria Municipal do Meio Ambiente), Simone Vecchiatti, explicou que o Viveiro Municipal está se readequando para iniciar a plantação de novas mudas e reagir a essa situação.



O local está com a estrutura prejudicada, mas a intenção é que em dois meses esteja todo coberto, com irrigação automatizada e com equipamento de aclimatação instalados. "Nós estamos com produção de árvores nativas e exóticas e estamos iniciando também a produção de mudas de flores para os canteiros", explica.

A projeção é que, ainda neste mês, as grandes avenidas, como Higienópolis, JK e Saul Elkind comecem a receber as novas plantas. No entanto, a gerente explica que manter uma cidade florida é bastante difícil, porque além dos trabalhos oferecidos, há muito vandalismo, cerca de 50% das plantas são perdidas. "Por isso é preciso o apoio da comunidade, tanto para fiscalizar as flores, quanto para ajudar com a irrigação. É um trabalho conjunto", pede Vecchiatti.

Além das flores, o viveiro promove a distribuição de árvores, algumas floríferas, como quaresmeira, ipê e manacá-da-serra. Segundo Paulo Guilherme, engenheiro agrônomo do local, as flores não servem apenas para embelezamento. "Além da contemplação, é bem-estar, as crianças observam e conhecem a natureza por meio do contato. É educação ambiental, se você passa a conhecer, passa a cuidar", explica.

Por isso, a importância da vegetação para a cidade. A questão ambiental traz vantagens que muitos ignoram. "As árvores, floríferas ou não, provocam a troca de gases, sombreamento, ajudam a equilibrar as enchentes, reduzem a poeira e as temperaturas, aumentando a umidade do ar", argumenta Guilherme.

Mesmo com tantos benefícios, muita gente corta a árvore da calçada por conta da sujeira. "É o ponto de vista de cada um, tem gente que vê um ipê florido e acha lindo, tem gente que vai olhar pro chão e falar que as flores estão sujando", destaca o agrônomo.

Atualmente o Viveiro Municipal possui 20 mil mudas de flores e 27 mil mudas de árvores, mas, segundo análise do engenheiro agrônomo, seria preciso uma produção de mais de 60 mil árvores para uma cidade do porte de Londrina, plantando em média de 15 a 20 mil por ano para substituição e ainda avançar em número de plantas.

Enquanto isso não ocorre, a Sema promove parcerias com o projeto "Empresa Boa Praça", em que empresários adotam um local para cuidar, e em troca é liberada a fixação de uma placa divulgando a ação. "O trabalho deve ser feito em parceria com a comunidade, é impossível dar conta da demanda", afirma Vecchiatti.

Já o cidadão que deseja contribuir com a arborização da cidade, pode fazer um cadastro na Sema para pegar uma muda gratuitamente no viveiro. O cadastro vai confirmar a necessidade e qual espécie deve ser plantada, considerando a fiação do local.

Londrina possui mais de 50 mil residências com ausência de árvore na calçada. A simples atitude de cuidar das flores públicas já traz um benefício. "Plantar uma árvore é celebrar a vida, é um gesto de partilha, é o que eu já ouvi de pessoas que pegaram as mudas aqui, porque quando se planta uma árvore, muitas pessoas são beneficiadas por ela", finaliza Guilherme.

O empresário Fabio Galdino Gomes adotou um canteiro na Avenida Harry Prochet por meio do programa Boa Praça
O empresário Fabio Galdino Gomes adotou um canteiro na Avenida Harry Prochet por meio do programa Boa Praça



Amigos do jardim
Ter um local agradável próximo do local de trabalho ou de casa é um privilégio. Andreza Cristina Lourenço, 36, passa os intervalos do trabalho na Praça Pé Vermelho, na Gleba Palhano. Todos os dias no horário do almoço, senta em um dos bancos e contempla a natureza. "Acho importante esses espaços, é bom para a gente ter ar livre e acho que falta mais disso na cidade", afirma.

Fabio Galdino Gomes, 32, é empresário e adotou um canteiro por meio do projeto da prefeitura. Há três meses, plantou a espécie impatiens em uma parte da Avenida Harry Prochet. Duas vezes por dia as plantas recebem irrigação. "Bastante gente elogia o local e a atitude", afirma.

A vizinhança aprova e Gomes acredita que serve de motivação para que seja feito em outros espaços pela própria comunidade. "Eu acho importante, tem plantas que atraem beija-flores e também fazem aumentar a circulação de pessoas, que vêm para fotografar o local", conta.

Em alguns bairros, a própria vizinhança se mobilizou para reformar locais públicos. Em Londrina, há jardins bem cuidados, como a praça do Jardim Bandeirantes, na qual o morador instalou um monumento de um tubarão em homenagem ao LEC (Londrina Esporte Clube), e o canteiro cuidado pelos moradores do Jardim Sabará.

Serviço
Quem quiser adotar uma praça, parque, jardim ou canteiro, pode comparecer na sede da CMTU (Rua Professor João Cândido, 1.213) para participar do programa Boa Praça. A Companhia exige documentos pessoais e uma carta demonstrando interesse em cuidar de espaços públicos. Mais informações pelo telefone (43) 3379-7959, de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h. (L.T.)

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