Fim do suporte ao Windows 10 deixa milhões sem proteção
Com o fim das atualizações da Microsoft, PCs ficam vulneráveis. Especialistas indicam o Linux como alternativa gratuita e segura
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 03 de novembro de 2025
Com o fim das atualizações da Microsoft, PCs ficam vulneráveis. Especialistas indicam o Linux como alternativa gratuita e segura

A era do Windows 10 chegou oficialmente ao fim em 14 de outubro de 2025. A Microsoft encerrou o suporte gratuito ao sistema, e a principal consequência para milhões de usuários não é o computador parar de funcionar, mas sim a porta aberta para riscos de segurança.
Especialista ouvido pela FOLHA e a própria Microsoft alertam: é hora de tomar uma decisão. Seu computador com Windows 10 não vai exibir uma tela preta ou parar de ligar. Na prática, você talvez nem perceba a mudança. Contudo, nos bastidores, ele se tornou um alvo fácil.
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O fim do suporte significa que a Microsoft não fornecerá mais atualizações de segurança e também outras atualizações para a correção de bugs e outros problemas do sistema operacional, explica Wesley Attrot, docente do Departamento de Computação da UEL (Universidade Estadual de Londrina).
Embora o sistema continue operacional, como acontece com versões antigas como o Windows 7, ele deixa de receber remendos vitais. Com o tempo, os computadores com Windows 10 ficarão vulneráveis a novas ameaças de segurança, alerta Attrot.

Trocar ou não o computador
E será preciso trocar de computador? Essa é a pergunta que assombra usuários domésticos e empresas. A resposta: depende. Segundo o professor Attrot, não é necessário trocar de máquina neste momento, mas é preciso avaliar o cenário.
Os usuários que tiverem computadores que suportem o Windows 11 podem fazer a atualização para esse sistema, explica o especialista. A Microsoft oferece a atualização gratuita e o aplicativo Verificação de Integridade do PC para confirmar a compatibilidade.
Já quem possui um hardware mais antigo que não atende aos requisitos do Windows 11 no futuro terá sim que comprar um novo computador caso deseje utilizar um sistema que esteja sempre atualizado contra ameaças.
A própria Microsoft confirma que, para se manter protegido, o caminho recomendado é a migração para o Windows 11, seja atualizando o PC atual ou adquirindo um novo.
Risco na rede
A vulnerabilidade não é a mesma para todos. O especialista da UEL detalha que o perigo real está na rede. Os computadores com Windows 10 estarão vulneráveis a novas ameaças que surjam, mas para quem utiliza esse sistema em atividades que não utilizam internet ou outros meios online, podem ficar um pouco mais tranquilos, pontua Attrot.
No entanto, essa é a exceção. Já computadores que dependem de internet ou executam aplicativos conectados à rede estarão bem mais suscetíveis às ameaças de segurança. Isso significa que atividades rotineiras, como checar e-mails, usar redes sociais e principalmente acessar aplicativos de banco, tornam-se operações de alto risco em um sistema desprotegido.
Falhas e instabilidade
O professor Attrot faz uma ressalva importante: migrar para o Windows 11 não é uma garantia absoluta de tranquilidade. Ele lembra que as próprias atualizações podem ter bugs e causar algum tipo de dor de cabeça.

O docente cita como exemplo o grande apagão de julho de 2024, que paralisou empresas e serviços globalmente. Naquela época, uma atualização defeituosa de um software de segurança amplamente utilizado (o CrowdStrike) causou a infame tela azul em milhões de computadores Windows, afetando tanto máquinas com Windows 10 quanto com o mais recente Windows 11.
O ponto central do especialista é que, embora a atualização seja vital para a segurança, a complexidade dos sistemas modernos significa que falhas inesperadas sempre podem ocorrer.
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Empresas em alerta
O fim do suporte ao Windows 10 também serve como um lembrete crucial de higiene digital. O professor Attrot ressalta que, independentemente da versão do Windows, a atitude do usuário é fundamental. Mesmo que o usuário tenha a versão mais atual, ele não estará livre de ser vítima, diz. Ter sempre cuidado ao clicar em links suspeitos e executar programas ou abrir arquivos de fontes desconhecidas continua sendo a principal linha de defesa.
Para as empresas, o alerta é mais sério. Se o computador é usado para atividades vitais ao funcionamento do negócio, é importante que o computador esteja sempre protegido, afirma o docente. Nesses casos, a migração para o Windows 11 deve ser considerada com mais seriedade.
Para a Microsoft, o movimento é estratégico: é uma forma de tentar fazer com que uma base maior de pessoas migrem para o Windows 11, conclui Attrot.
Alternativa gratuita
Para muitos usuários, no entanto, a solução não está em investir em novo hardware, mas em buscar sistemas operacionais alternativos. É o caso do jornalista Luciano Silva, que trocou o Windows pelo Linux após quase uma década usando o sistema da Microsoft. “Foi uma convergência de fatores”, conta. “Meu computador é de 2014 e roda perfeitamente o Windows 10, mas não atende ao requisito obrigatório da TPM 2.0 nem ao de processador para o 11. Além disso, percebi o quanto era refém de um sistema pago que limitava o próprio uso”, explica.

Segundo ele, o fim do suporte gratuito também pesou na decisão. “Ficar sem atualizações de segurança deixaria meu computador vulnerável a malwares e invasões. Segurança hoje é essencial.”
Silva optou pelo Linux Mint, uma distribuição com visual semelhante ao do Windows. “O Mint mudou este ano da versão 21.3 para a 22.2 sem necessidade de upgrade de hardware e com apenas um clique para atualizar, sem perder nem mesmo a personalização do sistema. E tudo isso de forma gratuita.”
Adaptação ao Linux
Para escolher sua primeira distribuição, o jornalista pesquisou bastante. “Quando soube do fim do suporte ao Windows 10, comecei a fazer um intensivo pelos canais de usuários e especialistas no YouTube, até entender razoavelmente do que se tratava. Escolhi o que mais se parecia com o Windows. No começo apanhei um pouco, mas me acostumei.”
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Ele diz que o Terminal, conhecido por assustar novos usuários, não é frequentemente usado, ele é necessário para ajustes de sistema e instalação de software. “O Linux é totalmente funcional pela interface gráfica. A aparência é idêntica à do Windows, facilitando a adaptação.”

Segurança e desempenho
Silva destaca ainda a segurança do sistema. “Os pacotes dos aplicativos passam por verificação e são assinados digitalmente antes de ficarem disponíveis. É muito mais seguro do que baixar arquivos executáveis da internet. Além disso, raramente há vírus para Linux.”
Outra vantagem, segundo ele, é a longevidade do equipamento. “O Linux roda bem em computadores antigos e com configurações modestas. É uma forma de evitar a obsolescência programada e o descarte de bons equipamentos. Assim a gente gera menos lixo eletrônico e o bolso agradece.”
Para quem ainda está em dúvida sobre o que fazer após o fim do Windows 10, Silva resume: “Com o código aberto, as atualizações não param. Caso um sistema deixe de existir, basta instalar outro igualmente gratuito.”


Patrícia Maria Alves
Editor e Gerente de Produtos Digitais


