Felinos nos ensinam a amar sem controlar
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sábado, 09 de fevereiro de 2019
Érika Gonçalves <br> Reportagem Local 

Traiçoeiros, dissimulados, interesseiros. Quem não conhece os gatos certamente usa adjetivos nada lisonjeiros para se referir a eles. Mesmo assim o número de lares coabitados por gatos aumenta ano a ano e não é só no Brasil. Afinal, além dos aspectos práticos na criação dos bichanos, o que mais faz com que as pessoas se interessem por eles?
Psicóloga e tutora de três gatas adotadas: Aziza, Rajah e Salima, Giselli Renata Gonçalves afirma que as pessoas tendem a gostar daquilo que precisam em si, mesmo que isso seja conflitante. "A autonomia, o bastar-se do gato é muito do que nós precisamos desenvolver. Isso causa amor e repulsa, é um sentimento ambíguo. As pessoas pensam em amor incondicional, em dar a vida pelo outro e o cachorro é portador dessa imagem. O gato você aprende que não pode controlar, que precisa de licença para se aproximar dele. Ele mesmo chega até você devagar. Você aprende a respeitar quem se ama. O gato ama sim, mas no tempo dele", pondera.
Ela destaca que os gatos nos ensinam a "amar sem controlar", quando vivemos em uma época em que o controle é visto como algo positivo. "Não ter o controle é tido como degeneração, quando na natureza há várias coisas não controláveis. Isso causa angústia porque nosso afeto é de posse. E o felino em si tem a natureza de ensinar isso."
TERAPIA
Gonçalves conta que a psiquiatra Nise da Silveira, que revolucionou o tratamento de doentes mentais, foi pioneira no trabalho terapêutico usando animais.
"Um dia apareceu uma cadelinha no hospital e ela, com muito cuidado, pediu a um paciente para cuidar do animal. Ela percebeu que ele desenvolveu uma natureza diferente daquela desenvolvida com os humanos. Começou a usar os gatos (na terapia) e percebeu que com eles era diferente, os pacientes mais esquivos se davam melhor com os gatos. Vivemos em uma sociedade que não educa para o afeto e sim para a racionalidade. Os bichos acessam nossos conteúdos afetivos de uma forma que não foram acessados antes. A partir do momento que existe vinculação afetiva, eles nos conquistam", finaliza.


