Faixa de pedestre: um descuido atrás do outro
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sexta-feira, 21 de setembro de 2018
Walquiria Vieira<br>Reportagem Local 
A empatia pode transformar o trânsito e tornar mais leve não só o fluxo de carros e pedestres, mas o fluir da vida. Mais que seguir a legislação de trânsito em vigor, ser empático no trânsito é se sentir bem por dar a vez a quem sinaliza para mudar de faixa - sem acelerar mais. É entender que o idoso tem mais dificuldades para chegar ao outro lado da via. É dar a vez ao pedestre, parado diante da faixa. O respeito ao mais frágil, por óbvio que pareça, nem sempre prevalece e não é difícil presenciar cenas assim diariamente. O taxista José Carlos Alício, 57, diz que pensa no outro, diante da faixa, como um ritual: "Olho o carro que vem atrás e vou diminuindo (a velocidade), ligo o pisca e aguardo." O feito muitas vezes é seguido de buzinada ou de uma arrancada repentina. "O motorista não tem paciência e esquece que quando desce do carro, também é um pedestre. Infelizmente, essa prática acabou em tragédia para um conhecido ainda este ano, ele foi atropelado em uma faixa depois de sair do trabalho porque um motorista deu a vez, já o outro, passou", lamenta. "Eu continuo seguindo princípios e me sinto bem. As pessoas acenam, agradecem e eu não perco nada em ser do bem". O autônomo Márcio Ramos, 55 anos, prefere não confiar no motorista. E só atravessa com segurança, sendo que em muitos casos isso signifique usar o semáforo ou aguardar até que a rua esteja livre. "De 10, só três carros param". Sua estatística baseia-se no ponto em que trabalha, bem de frente a uma faixa. "Tem vezes que o pedestre chama a atenção do motorista pela falta de educação e ainda ganha bronca", relata.
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