Expedição une famílias na América do Sul
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sábado, 20 de janeiro de 2018
Lais Taine<br>Reportagem Local 

Galhardi é irmão de Motter e amigo de Rosa. Três famílias que se uniram por acaso, mas por afinidade decidiram viajar juntas. Um grupo de 12 pessoas, incluindo jovens e adultos, cada um com sua particularidade, opinião e desejos decidindo os caminhos a cursar. O que parecia ter tudo para dar errado foi, na verdade, a vantagem para aproveitar o passeio de mais de 10 mil quilômetros percorridos via estrada, entre o fim de 2016 e início de 2017. Essa foi a Expedição Andes.
"A ideia inicial saiu de Adelar (Motter)", contam as famílias. Todos de acordo, iniciaram o planejamento, com roteiro, seis meses antes da saída. A "Bíblia", como eles brincam, era um caderno de muitas páginas de mapas, reservas de hotéis e toda documentação impressa que julgaram necessárias para se ter uma viagem segura. Outro caderno guiava sobre os pontos turísticos. "Nós fizemos algumas reuniões preparatórias, sentamos, conversando, olhando os lugares que ia reservar, colocamos na TV para olhar, é isso mesmo que nós queremos?. A gente foi conversando algum tempo antes para ir afinando algumas questões", conta Denise Motter.
Os encontros faziam parte da diversão. "É tão prazeroso fazer o planejamento quanto viajar", defende Adelar. E a preparação foi praticamente profissional. Uniformes, adesivos para os carros, rádios de comunicação, organização de vacinas e documentação exigida por cada país, o kit de primeiros socorros, revisão minuciosa dos carros para então partir para Argentina e Chile, uma viagem de 22 dias em um comboio de três veículos.
"A forma de você verificar, no carro, as paisagens, os caminhos, a cultura, é bacana porque você se defronta com a cultura. O avião não te permite isso", argumenta Leda Galhardi. Outro ponto é ficar até 10 horas dentro do carro com a família. "Acaba interagindo mais e botando em dia os assuntos e uma série de questões que durante o ano não deu tempo", afirma Adelar. Além da viagem longa na estrada, há as questões de estar em um grupo diferente. "É um exercício de absorver ideias. A questão de que tem adolescentes, idades diversas, todos nós somos profissionais de áreas diferentes. A gente se junta para criar tudo isso e é gostoso porque quando se chega lá, cada um tem uma visão do lugar", explica Leda. "E a gente acaba se divertindo mais também, porque é como se fosse uma família grande", acrescenta Gabriela, filha dos Galhardi.
Viajar com quem se tem afinidades e dividir alegrias é bacana, mas e quando as coisas não vão bem? Apesar de todo planejamento, imprevistos sempre acontecem: uma parada inesperada para ir ao banheiro no meio do deserto, causando mal-estar; uma chuva forte que alagou uma parte do caminho; ou um veículo que quebrou. "Com o rádio a gente ia avisando, `preciso ir ao banheiro, tem cabrito na estrada, Naor, tudo bem aí?. O fato de estar em equipe, a gente tinha assistência um com o outro. O risco de ir sozinho neste tipo de viagem é muito maior", argumenta Naor Rosa.
GREGOS E TROIANOS
Saídas na cidade, Rally Dakar, visitação às vinícolas, observação do céu... Há passeios interessantes para alguns, para outros nem tanto. Para satisfazer a todos, é preciso administrar diferenças. Assim, a flexibilidade e a participação de todos no planejamento foram fundamentais para se chegar a um entendimento, que, segundo João Miguel Galhardi, uniu o grupo em quase todos os passeios. Por isso, para se fazer uma viagem em grupo, as famílias recomendam organização e respeito. "Nós entramos bem abertos para pesquisar e sugerir o que era interessante e fomos ajustando o que era consenso, adaptando. É o equilíbrio", explica Gabriela.
UM NATAL DIFERENTE
Entre as paisagens, gastronomia, arquitetura, um feriado familiar: Natal. O grupo passou a ceia comendo tortas paraguaias, foi o que encontraram em cima da hora na cidade onde se hospedaram. "Foi a melhor ceia", ri Leda. O dia de Natal já foi na estrada. Pararam embaixo de uma árvore para comer um lanche.
No Ano-Novo, contato com uma cultura diferente. "A festa deles foi superbacana, é totalmente diferente da festa de virada de ano nossa. Cada esquina, praça, tem os bonecos montados e quando chega a meia-noite eles põem fogos nos bonecos e vão pulando a fogueira. É cultural", afirma Leda.
"Foi uma experiência fantástica. A vontade de ir novamente é imensa, se fosse para fazer o mesmo roteiro, faríamos de novo, com certeza", ressalta Naor. E disso, saem novos projetos. O grupo planeja a próxima aventura na Patagônia, viagem que precisará ainda mais de preparação e cuidados, mas isso as famílias já mostraram que sabem fazer. Experiência na bagagem e pé na estrada! Como souvenir, novas boas histórias.


