Mais do que um problema apenas para o indivíduo ou sua família, o acúmulo de objetos pode se tornar um problema de saúde pública. Não é incomum encontrar histórias de pessoas que têm o quintal lotado de todo tipo de objeto, muitos sem utilidades. Outros acumulam animais, o que representa um problema também para os bichos.

Na rotina diária de inspecionar quintais e orientar a comunidade sobre os riscos de uma infestação pelo mosquito Aedes aegypti os agentes de endemias encontram inúmeros casos de acumuladores. Em algumas ocasiões, os próprios vizinhos fazem a denúncia.

Não é incomum encontrar histórias de pessoas que têm o quintal lotado de todo tipo de objeto
Não é incomum encontrar histórias de pessoas que têm o quintal lotado de todo tipo de objeto | Foto: Celso Junior/ Estadão Conteúdo

A diretora da vigilância em saúde de Londrina, Sonia Fernandes, explicou que não há uma conduta única nestes casos, já que ser acumulador é uma condição de saúde mental do indivíduo. O primeiro passo ao se deparar com essa situação, segundo ela, é fazer uma abordagem familiar, no intuito de ajudar o acumulador a entender o problema.

Essa família tem uma certa responsabilidade. Se o indivíduo não responde, tentamos fazer uma abordagem com o Caps (Centro de Atenção Psicossocial). E em último caso tentamos um mandato judicial (para fazer a limpeza), em conjunto com a CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização de Londrina ) e o Ministério Público. Mas sabemos que isso só agrava o estado mental do acumulador e ele vai acumular muito mais”, explica.

Segundo ela, os casos são sazonais e podem ter uma grande variação, indo de três a até 40 ao mesmo tempo. “Podemos fazer o acompanhamento ao longo do tempo até conseguirmos limpar. Hoje em Londrina são cerca de cinco casos.”

Fernandes diz que em grande parte dos casos o próprio morador acaba providenciando a limpeza e felizmente são poucos os casos nos quais é necessário acionar a justiça. “Se a família faz o acompanhamento ajuda muito, mas na grande maioria das vezes ela acaba virando as costas para o doente porque não sabe o que fazer, ou acha que é apenas uma teimosia da pessoa. A família deve acolher e encarar como uma doença”, recomenda.

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