Exagero merece atenção
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sexta-feira, 01 de março de 2019
Érika Gonçalves <br> Reportagem Local 
Manter a casa e o ambiente de trabalho limpos e organizados traz uma sensação agradável, pois facilita a produção das tarefas. Com tudo à mão, perdemos menos tempo. O problema é quando essa organização - ou a falta dela - é excessiva.
"Se a pessoa está conseguindo lidar com as questões do dia a dia, isso irá se refletir na forma como ela está organizada. Aquele momento de arrumar é um momento de mudança, algo está incomodando e é preciso mudar. Mas tanto a desorganização quanto a organização em excesso podem dizer algo sobre uma questão patológica. Se não dá tempo de arrumar a casa e eu dou conta de sair e deixar uma mínima bagunça para arrumar depois, tudo bem. Se você sempre sai atrasado de casa porque precisa deixar tudo arrumado, olha o tamanho do prejuízo? Isso não é bem-estar, isso é sofrimento, é sinal de algo a mais", explica a psicóloga clínica Erica Soares Daschevi.
Por outro lado, uma bagunça exagerada pode gerar conflitos, com afastamento dos familiares que não concordam com a maneira de organizar o lar. A psicóloga Kátia Ermenegildo aponta que uma arrumação feita por todos pode ser uma maneira de passar um tempo juntos em uma tarefa comum, ao mesmo tempo que as crianças aprendem que organizar a casa não é algo ruim de se fazer.
Por falar nelas, as especialistas apontam que desde cedo os pequenos podem ajudar nas tarefas da casa, começando por seus próprios pertences. "A partir do momento que a criança anda e fala, pode ajudar guardando os brinquedos, por exemplo. (Pode) Por a roupa no cesto de roupa suja, guardar sapatos, o uniforme. Conforme a faixa etária, não sendo coisas arriscadas, elas podem fazer. Há pais que se queixam (que elas não fazem), mas sempre deram tudo na mão", alerta Daschevi.
"Isso exige investimento dos pais, de fazerem juntos, ensinarem as crianças. Podem lavar a louça juntos, cozinharem juntos, ensinar a por a mesa, pegar o brinquedo junto com os filhos. Os pais precisam ter paciência também. Se a criança não faz, tem pai que vai lá e faz", diz Ermenegildo.
No caso dos adolescentes as psicólogas sugerem que o diálogo é o melhor caminho, seguido por paciência. Da mesma maneira do que com as crianças, pode ser necessário executar as tarefas juntos algumas vezes, até que se torne algo corriqueiro.


