"Eu tenho tanto pra lhe falar, mas com palavras não sei dizer"... A música de Roberto Carlos já denunciava como pode ser difícil explicar o quanto é grande um amor por alguém. Na correria do dia a dia, por vergonha ou bloqueio, algumas manifestações de carinho entre mãe e filhos acabam passando. É preciso enxergar para além das palavras.

"O afeto e o carinho podem ser demonstrados através do toque físico, do cuidado, da preocupação com a pessoa, através de elogios, dando um presente. A questão é que às vezes a pessoa demonstra afeto de uma maneira e o outro não faz a mesma leitura", explica a psicóloga e terapeuta familiar Neide Zucóli.

Entender essa linguagem do amor pode ser complexo para alguns, ainda mais quando não há vivência desde a infância. Segundo a especialista, essas pessoas que não receberam afeto vão ter mais dificuldade em doar, mas não quer dizer que não queiram. Em alguns casos, é necessária a ajuda terapêutica para desenvolvê-lo nas famílias.

"Quando a gente quebra essas limitações, começa a ter sensações prazerosas. Uma pessoa pode ter um bloqueio muito grande e começar devagarzinho até que vai se acostumando. Algumas pessoas têm dificuldade de dizer 'eu te amo', mas é um treino. Esse novo pode ser desajeitado, mas se insistir, pode ir superando e tornando mais natural, fluido para descobrir que dar afeto é tão prazeroso quanto receber", indica. Ao mesmo tempo, ensina que esta ação deve ser espontânea e partir da iniciativa de cada um.

Por isso, publicações de homenagens nas redes sociais podem ser inapropriadas. "A gente entra em um terreno delicado, porque nem sempre o que se publica é o que realmente se pratica", afirma Zucóli. Algumas pessoas vão receber o afeto com carinho como um processo para alimentar o amor e estreitar os vínculos. Outras podem não gostar desse tipo de manifestação, por isso, a psicóloga recomenda o respeito. "Às vezes é preciso achar um equilíbrio da minha necessidade de afeição e a forma como o outro consegue receber isso."

Outra questão é o limite. Algumas mães temem pela reação dos filhos. A pedagoga Maria Eneida Holzmann afirma que o próprio limite é uma manifestação de carinho. "A coisa de pais e filhos é uma aprendizagem. Até o limite que parece uma coisa ruim, você vai ver que o afeto está presente. O amor e o limite são importantes. Quando eu digo 'não' é porque eu amo, é uma coisa necessária", afirma.

Nas broncas e puxões de orelha, no cuidado com a casa, ao fazer uma comida, no gesto e no olhar. De acordo com as especialistas, o carinho está presente em diversas formas. Acreditando no potencial de afeto que cada um tem para oferecer, Holzmann afirma que é possível que cada um encontre, por conta própria, sua maneira de fazer diferente e buscar pela mudança. "Nunca esperar só do outro, às vezes com uma coisa simples você pode mudar uma situação. Se você abrir um pouquinho a porta da afetividade com o outro, você se mostra disponível, aberto para procurar."

E estar aberto significa receber e procurar formas de expressar o afeto de forma que o outro leia e entenda. Segundo a terapeuta e a pedagoga, todos somos capazes e este Dia das Mães pode ser a oportunidade de se dar o primeiro passo, ainda que de forma simples porque, segundo Holzmann, "o amor é o mais importante e ele existe em todas as famílias."

mockup