O celular apita. "Bom dia, família!". A mensagem aparece entre letras e um ícone de xícara de café. Alguém compartilha uma imagem que une flores e uma felicitação caprichada. No decorrer do dia, vídeos, gifs, piadas, denúncias, fotos de almoço... É o grupo da família Fernandes/Esteves unindo os mais distantes.

A repórter intrusa é respondida. "O bom da tecnologia de hoje é que aproximou todos via aplicativo e não precisamos mais utilizar DDD em ligações caras para matar saudade dos parentes que moram longe", conta Daniel Machado, 37, de Cambé, ‘agregado’ da família há 13 anos. A esposa não participa do grupo. "Eu transmito os acontecimentos para ela de vez em quando, não é tudo", finaliza com uma carinha que sorri com culpa.

O grupo foi formado no dia 20 de junho de 2014, possui 21 participantes e treze administradores. A imagem que simboliza a turma não é muito familiar, um anfíbio para representar o "Pereréca Suicida", nome que deram para a união formada majoritariamente por primos de diversos locais do planeta: Paraná, São Paulo, Rondônia, França e Estados Unidos.

Alguém publica a foto do peixe frito pronto para o almoço, outro rebate o cozido ainda na panela. Comida é publicação recorrente, em determinado ponto metade de uma pizza aparece, demonstrando que de onde veio deviam estar todos muito bem. De outra parte, uma fatia de pão de forma sob um ovo, denunciando uma intenção menos glamourosa em véspera de feriado. Todos se divertem.

Imagem ilustrativa da imagem 'Eu também sou da família, também quero catucar!’



As notícias chegam rápido ali. As crianças que procuraram ovos na Páscoa, a carne depositada na grelha do churrasco de domingo, a superação de quem conseguiu emagrecer e se sente muito bem. O compartilhamento de momentos. "Apesar de não ser um participante assíduo do grupo, me sinto próximo, porque vejo o que se passa na família, desde aniversários, confraternizações, fotos de primos. Ver histórias daqueles que querem compartilhar alguma dificuldade pessoal e socializar no grupo sua superação", afirma Carlos Ramos, 37, de Londrina.

Claro que é preciso ter normas, mas elas não foram ditas claramente, vai do bom senso. "Aqui no grupo da família não precisou colocar regras, mas sempre rola alguma coisa que alguém não goste. Acredito que para não gerar um incômodo, mantenha o ‘deixa pra lᒠque é melhor", responde Machado, que também foi o primeiro a interagir com a repórter cinco dias antes afirmando que às vezes o grupo é quieto mesmo.

Às vezes. Há as boas vibrações diárias que movimentam além dos dias em que todos têm mais tempo e conseguem dividir suas angústias e prazeres. Mas como não é muito grande, a turma não faz tanta bagunça. Nem mesmo um clássico Palmeiras X Corinthians chacoalhou o pessoal, apenas um coelho verde desejando "Feliz Páscoa" demonstrou interesse tímido em provocar alguém. Talvez o assunto seja um tabu. Talvez seja apenas o jeito deles também.

A verdade é que o que a vida afastou, a tecnologia aproximou. E mesmo que alguns reclamem das tantas publicações desejando boas coisas todos os dias – não foi o caso deles – há que se admitir que é bom saber o que passa do outro lado da tela. Gerando intrigas ou não, criando confusões, brincadeiras, na correria do dia a dia, ter notícias dos parentes os tornam mais próximos. Proximidade experimentada rotineiramente pela família Fernandes/Esteves.

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