'Eu fico tão nervosa que quando vejo já compartilhei'
Desde que comprou um celular mais moderno, por volta de um ano e meio atrás, Lourdes (nome fictício), 67, utiliza as redes sociais como Facebook e WhatsApp para se conectar com família e amigos. Ao levantar, antes de começar as atividades do dia, dá uma olhada nas mensagens recebidas e compartilha em seus grupos. Entre elas, algumas bem suspeitas.
"Associação Americana de Médicos deu resposta para as causas do câncer", inicia uma mensagem. "Vejam o que o cantor Lulu Santos escreveu hoje no Jornal Diário de São Paulo", começa outra. Essa nem era a intenção de Lourdes quando começou a usar a tecnologia para comunicação. "Eu gosto muito de ver mensagem sobre Deus, Jesus, algumas falando sobre remédio, receita de culinária e receita de chás", afirma. Mas elas acabam chegando e preocupando algumas vezes.
"Tem mensagem que deixa a gente apavorada, como celular que estourou e queimou uma pessoa, eu fico sem saber se é verdade ou não, mas fico preocupada. Eu não sei se é bom compartilhar, mas eu fico tão nervosa que quando eu vejo já compartilhei", relata. A intenção é ajudar, alertar seus contatos sobre os perigos e sobre a confirmação de boas notícias, como a cura de uma doença.
Chás naturais para aliviar, tratar, curar. "É natural. Eu penso assim, se não fizer bem, mal também não vai fazer, por isso, quando eu acho importante, compartilho com os outros", explica.
Às vezes, Lourdes desconfia e detecta algumas falsidades. "Aparece mensagem de uma pessoa sumida, eu pergunto quem é, se é parente e às vezes o pessoal não sabe. Uma vez passei para meus grupos e depois não vi falar mais nada sobre o assunto, então agora eu pergunto antes se a pessoa conhece", afirma.
A tecnologia veio para unir mais as pessoas e Lourdes consegue estar mais próxima de quem gosta. Na intenção de ajudar, permite-se compartilhar algumas mensagens, mas nem de todos os assuntos. "Política eu não gosto muito de mandar", revela. Ainda sem saber até que ponto as informações podem prejudicar, ela pede para que o seu nome não seja revelado no jornal, a fim de evitar problemas.
É que talvez, Lourdes não saiba que o que ela faz é mais comum do que se imagina. Muitas pessoas compartilham mensagens sem saber sobre sua veracidade, seja por ingenuidade, por preocupação ou por má fé. Mas entre uma troca e outra, vai adquirindo experiência com a internet e pegando a malícia das mensagens mal intencionadas.
Muitas vezes, o aprendizado vem do alerta de outros, que informam quando uma coisa não está certa, ou quando consegue perguntar para alguém, já que sozinha não consegue pesquisar. Lourdes afirma nunca ter ouvido falar sobre fake news, mas sabe que existem mensagem mentirosas circulando, portanto, está mais consciente. "Tem mensagem que a gente acredita, tem coisas que não". (L.T.)





