Viver é adaptar-se ao novo a cada segundo. E não é fácil pois nos pede desaprender e aprender para se ajustar. E nossa mente nos trai ao tentar nos levar a caminhos já feitos, traçados cognitivamente. Sou de outra geração com outros princípios na formação. Nem melhor ou pior. Contudo, nessa geração, nós nos misturávamos, éramos todos iguais, e isso gravou em mim. Na família aprendi que não importava de qual sexo, cor, raça ou religião fosse o meu amigo, devia respeitá-lo antes de tudo como pessoa.

Influenciado pelos Estados Unidos surge o movimento do politicamente correto. Trabalhando e tratando de assuntos referentes a diversidade, mentalidade e autoconhecimento pondero a questão do politicamente correto como uma maquiagem social que torna as pessoas boas socialmente. E assim surgem "vou dizer isso, ou fazer aquilo porque é politicamente correto" sem interiorizar o que dizem. Observo um debate que coloca as pessoas segregadas em caixas, numa disputa sem sentido de quem deve ser o melhor, o privilegiado, o ajudado, o ressarcido. Para mim, isso é muito pouco quando se trata do ser humano. Não trabalha a inclusão, mas a exclusão de um em detrimento do outro. Não amplia a inovação. Somos diferentes, e o mesclar de nossa pluralidade é o que nos faz muito melhores juntos.

Outro ponto é a limitação do diálogo, com a preocupação do que vai pensar e falar. Tudo ganha proporções maiores do que a intenção. E o medo paralisa. É nosso dever pensar e ponderar o que se fala, mas por vezes é necessário extrapolar o universo pensado para expandir os limites e criar o novo. O cuidado exagerado tolhe o pensar, o sentir, o agir e o criar. E assim não evolui.

Onde começa e termina o politicamente correto? Se é para todos, acabou o debate. Matamos as possibilidades, as nuances e os relacionamentos. Está morto o humano complexo, que se desenvolve junto e no outro. Ele agora está limitado a uma classificação que luta por seus direitos, contudo quando se cruzam a base das demandas nota-se que são parecidas, e por vezes idênticas, basta aprofundar o olhar e fechar o viés.

Defendo que as relações devem se pautar pela liberdade de expressar-se, pelo respeito e pelo diálogo afetuoso, pelo amor e pela solidariedade. O peso do que falo está no que é sentido. É o sentimento que dá vida à palavra. Quando criança apesar das divergências havia respeito e buscava-se fazer as pazes. A gente crescia no emocional se ajustando nas relações. Havia amor. O politicamente correto me faz sentir que eu estou numa caixa e preciso me defender dos outros, insistir que eles precisam me aceitar, me incluir, contudo, continuar agir assim, me parece que fomenta o debate da exclusão. Prefiro acreditar que o mapa não é o território e que a realidade que devemos construir deva ser a de nos tornarmos cada vez mais humanos e construindo virtudes como empatia, amor, compreensão, compaixão e respeito que gera poder de inclusão geral. Esses são ingredientes poderosos que retiram a maquiagem social e que incluem e dão voz a todos. Permite que seja entregue a cada um o que lhe é necessário para que se desenvolva ao seu ritmo e ao seu tempo. Afinal, uma sociedade é feita de pessoas e da pluralidade e entre o politicamente correto e o humanizar, eu escolho humanizar. Escolho olhar o próximo como alguém que agrega ao meu desenvolvimento. Para isso eu preciso dialogar, debater, compreender e conciliar. Tornar se humano e aprender processar sentimentos me parece mais urgente à nossa sociedade.

Adriana Croti
palestrante, ThetaHealer e coaching emocional.

mockup