"A transição foi bem difícil, mas eu consegui. Você tem que se amar", diz Zaine Garcia de Assis. Veja vídeo utilizando a tecnologia da Realidade Aumentada
"A transição foi bem difícil, mas eu consegui. Você tem que se amar", diz Zaine Garcia de Assis. Veja vídeo utilizando a tecnologia da Realidade Aumentada | Foto: Saulo Ohara



Alisamento químico e escova progressiva são os melhores amigos das mulheres que desejam transformar os fios cacheados em lisos, sem precisar usar escova e secador. Porém, eles também podem se transformar em um grande problema quando o intuito é voltar aos fios originais. A chamada transição capilar assombra diversas mulheres que não sabem como lidar com cabelos enrolados na raiz e lisos nas pontas. A saída para muitas é apelar para a tesoura e cortar os fios bem curtos. Nem todas, entretanto, têm coragem de assumir um visual mais extremo e acabam desistindo no meio do processo.



A estudante de Pedagogia Zaine Garcia de Assis sabe bem dos desafios enfrentados por quem decide abrir mão da escova progressiva. Há cerca de dois anos ela resolveu fazer o caminho inverso e precisou de muita paciência e autoestima para fazer a transição capilar. Também recorreu a vários vídeos no Youtube.

"Sempre alisei meu cabelo, desde muito nova. Já aos 6 anos tenho fotos segurando os cabelos enrolados, porque não gostava deles. A sociedade constrói isso na gente. Em sala de aula eu era a única negra e quando as crianças diziam para brincar de ‘bater’ o cabelo, sempre diziam que eu não poderia fazer isso. De tanto eu pedir, quando eu tinha 10 anos minha mãe me deixou alisar os cabelos. Aos 14, fiz minha primeira escova progressiva. Fiquei dez anos alisando os cabelos até que aos 20 decidi que iria fazer a transição", conta.

Tranças
O incentivo veio de amigos e familiares que moravam na praia, que elogiaram seu cabelo e sugeriram que ela os usasse novamente cacheados. Mas a decisão ocorreu mesmo quando ela deixou de fazer um passeio muito importante porque estava chovendo e não queria perder a escova que havia feito. No total foram necessários dez meses para que a transição se concretizasse.

"Nos primeiros cinco meses eu só deixava o cabelo preso. Depois não dava mais para amarrar, porque a raiz estava muito grande. Eu pensava que não podia desistir, não podia voltar a alisar. Não faltou quem me dissesse que meu cabelo era melhor liso, mas houve também quem incentivasse. Foi então que resolvi colocar tranças, isso fez com que eu me sentisse melhor", afirma.

Usando o cabelo original trançado junto com os apliques, as "box braids" são uma alternativa para esperar os cabelos crescerem um pouco mais, segundo ela. Cinco meses depois e precisando refazer as tranças, graças às raízes grandes novamente, Assis tomou a decisão de cortar os cabelos.

Xingamentos
"O valor era alto para mim e reavaliei. Entrei no quarto e sem as tranças fui cortando todas as pontas lisas do meu cabelo. Foi libertador, parecia que eu estava me livrando de todo o preconceito, dos xingamentos que eu sofri. Meu cabelo ficou muito curto, tipo uns dois dedos de comprimento só. Teve quem criticasse mas muitas pessoas me deram força. Fui fazendo muita hidratação, hoje já tem vários produtos específicos. Lembro de que quando era mais nova e via as propagandas, os produtos bons eram aqueles que alisavam os cabelos. Eu olhava aquilo e pensava o que havia de errado comigo, já que o cabelo liso que era o bonito", relata.

Aos poucos os fios foram crescendo e hoje, um ano depois do seu "big chop", como é chamado o grande corte, ela comemora já conseguir usar os cabelos amarrados. "A transição foi bem difícil, mas eu consegui vencer essa barreira. Você tem que se amar, não pode existir rivalidade do liso para o cacheado, não podemos ir de um extremo ao outro. Cada um deve usar o cabelo como deseja. Mas essa foi uma aceitação que foi vindo, eu me odiava, não me achava bonita. Hoje vejo outras garotas mandando mensagem no meu instagram, dizendo que se inspiraram em mim. Digo para irem com calma, sem pressão e não desistir. Dá para passar a transição com produtos bons e baratos. Se informe e tenha calma, o cabelo vai crescer. Seja firme e forte e não se deixe abalar pelo preconceito."

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