"Quanto menos peças você tem, mais criatividade vai precisar. Vai misturando, aprendendo e, consequentemente, acaba tendo um consumo menor", afirma a consultora de imagem Grasiele Gomide
"Quanto menos peças você tem, mais criatividade vai precisar. Vai misturando, aprendendo e, consequentemente, acaba tendo um consumo menor", afirma a consultora de imagem Grasiele Gomide | Foto: Gustavo Carneiro



A busca pelo consumo consciente é tendência mundial. Em várias áreas, preza-se pelo minimalismo e reaproveitamento, evitando o desperdício. No vestuário, surge a estratégia do "armário-cápsula", termo criado pela consultora de moda e personal stylist Susie Faux. A ideia é se vestir bem, com estilo e criatividade, tendo poucas peças no guarda-roupa. É a versatilidade em nome da sustentabilidade.

"O armário-cápsula nada mais é que uma limitação de quantidade de peças para o guarda-roupa para se ter um consumo mais consciente. Ver quão pouco a gente consegue ter e quão versáteis as peças conseguem ser", explica Grasiele Gomedi, consultora de moda da Vivacità Consultoria.

A quantidade não é definida, mas a especialista explica que a média é entre 30 a 50 peças, incluindo sapatos e bolsas. No entanto, tudo depende de cada estilo, rotina, local e tempo de duração do armário. "Assusta um pouco porque é uma limitação, mas se a gente for analisar, têm pessoas que compram um monte de peças e usam sempre as mesmas. Acabam tendo, indiretamente, um armário-cápsula", explica.

Ela fala sobre a sensação de estar com o armário abarrotado e ainda não conseguir escolher uma roupa para sair. O pensamento é evitar essa situação com um aproveitamento inteligente, combinando peças de várias maneiras, formando composições diferentes. "A ideia é usar peças atemporais, que não sejam de modinha, e que sejam básicas ao mesmo tempo, com um bom corte e tecido, porque ela vai durar um tempo maior", informa.

Como o clima muda de acordo com as estações, algumas pessoas optam por montar a estratégia para cada trimestre, outras preferem dividir entre outono/inverno e primavera/verão e, dependendo do estilo de vida, há duas formulações: uma para o trabalho e outra para o lazer. Tudo vai depender de cada perfil. "Se não é muito discrepante o lazer do lado profissional, a gente consegue montar o armário-cápsula só com um grupo de peças", ensina. Assim como é possível montar um para o ano todo, incluindo número maior de itens.

Para o outono, a dica é reutilizar as roupas do verão. "Camisetinhas, camisas, calças, vestidos, tudo você pode jogar para o outono. No verão, usei vestido com sandália, no outono vou usar com meia calça mais grossa e um cardigã por cima", ensina. Outro exemplo é a camisa, usada com manga dobrada, amarrada ou aberta na última estação, agora pode ser utilizada fechada, com manga até o punho.

Como economia, a consultora indica investir em acessórios, como cachecóis, lenços e bijuterias, que costumam ter preços mais acessíveis e mudam o visual. "Você pode estar com a mesma roupa, se você mudou um acessório ou maquiagem, as pessoas não percebem, fica diferente", afirma. Acessórios, vestimentas para festa ou esportivas e pijamas não são contabilizados como peças.

Nesta forma de pensar o visual, não seria útil seguir tendências, pois elas passam rápido e a peça fica perdida, por isso é indicado escolher itens mais neutros, clássicos, para fazer combinações mais facilmente. Gomide afirma que isso não quer dizer que seu estilo ficará ultrapassado, é necessário buscar a forma de se expressar para poder usar a imagem a seu favor sem ter que comprar tanto. "Com o acessório você consegue se manter na tendência. Existe também tendência de cabelo e maquiagem. São vários itens que podem ajudar. Não é porque você tem um armário conciso que você não vai estar na moda", defende.

Não precisa começar do zero

Para montar o seu armário-cápsula não é preciso desfazer de tudo que tem e começar do zero. Se o foco é sustentabilidade, deve-se prestar atenção no que já tem no guarda-roupa e ser criativo. Talvez, uma peça que esteja esquecida pode ser reaproveitada de uma forma que não tenha sido enxergada ainda. A consultora de imagem Grasiele Gomedi dá dicas para você entrar na estratégia com estilo.

"Primeiro tem que filtrar o que está hoje no armário, se aquilo diz a respeito da pessoa, se conversam com o dia a dia dela e com o que ela gosta", inicia. O primeiro funil é o do estilo, se a peça expressa a imagem que gostaria de passar e faz se sentir bem, ela continua.

A segunda peneira é a da qualidade das peças. Se elas serão utilizadas por mais tempo, não podem iniciar o armário já com desgaste. "Rasgadas, com bolinhas ou que o tecido já não está bacana... Você vai usar por um período maior, repetir mais, se elas já não estiverem bacanas e não podem ser customizadas, não terá como usar até o final", explica.

Por isso orienta ter atenção na hora da compra. Um tecido de camurça não será reaproveitado no verão e será necessário montar armário para o frio e outro para o calor. Se essa não for a intenção, é recomendada a busca por tecidos naturais, leves, levando em consideração o seu uso em todas as épocas do ano, reservando casacos, jaquetas e cardigãs para a função de aquecer.

QUANDO RENOVAR?
"Normalmente é antes de refazer seu armário-cápsula", isso quando se utiliza a ideia das estações. Caso contrário, ensina observar se o estilo está mudando ou se as peças estão ficando desgastadas para que não volte a comprar peças e encher o guarda-roupa novamente.

CORES
A cartela de cores indicada é neutra, mas a consultora já avisa. "Não é só preto e branco. O neutro é um vinho escuro, verde militar, cinza, chumbo...", segue enumerando. Estampas devem ser escolhidas de acordo com a possibilidade de combinação, por isso as geométricas são boas opções. "Listras, poás, até animal print. É possível fazer mix de estampas, mix de cores, formando um armário criativo. Depende do estilo de cada pessoa", afirma.

Nesse sentido, defende que não há regras, e que é apenas um termo para incentivar as pessoas a consumirem menos, terem mais criatividade e olhar para dentro do armário com novas possibilidades na cabeça. "Quanto menos peças você tem, mais criatividade vai precisar. Vai misturando, aprendendo e, consequentemente, acaba tendo um consumo menor."

AINDA ESTÁ PERDIDO?

Se mesmo com as dicas, ainda está inseguro com a formação do seu armário-cápsula. A consultora de imagem exemplifica como seria uma formulação básica ideal para qualquer pessoa. Seguindo o estilo, estação, rotina, é possível substituir algumas peças para personalizar de acordo com a necessidade de cada perfil.

Imagem ilustrativa da imagem Estilo sustentável



Fonte: Grasiele Gomedi.

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