Estar fora do padrão de beleza é um desafio, mas ser diferente pode te tornar bem especial
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 01 de setembro de 2017
Lais Taine<br>Reportagem Local 

Fazer dietas esdrúxulas, tomar chás esquisitos, fazer academia de manhã, caminhada à noite, tomar remédios proibidos. Tem quem faça de tudo para alcançar o corpo perfeito. Há também pessoas que se aceitam como são e vivem felizes com isso. Ter a liberdade de se ser o que é e se amar dessa forma é um desafio para quem é tamanho GG. No Brasil já são 54,1% de adultos com sobrepeso, de acordo com dados de 2014 da OMS (Organização Mundial de Saúde).
Marcela Baccarim, 34, demorou para perceber que poderia ser feliz com seu corpo. "Sempre fui magra, era vaidosa, gostava de moda. Quando tive meu filho, aos 24 anos, engordei mais de 30 quilos. Em um ano eu era magra, no outro eu estava gorda, aquilo foi um choque para mim. Eu não queria ser gorda", conta.
Lidar com o peso foi difícil para ela, por isso, a primeira opção era tentar voltar ao peso anterior. "Eu fazia dietas, tomei remédios, fazia exercícios e não conseguia voltar. Eu fiquei neurótica até com meu casamento, comecei a não querer sair mais de casa, queria me esconder, porque as pessoas me viam e não acreditavam que eu estava naquele tamanho", lembra. A volta por cima veio com o apoio do marido e da mãe, que estimularam Baccarim a se respeitar do jeito que estava.
"Quando eu vi que não conseguia mais emagrecer, comecei a acompanhar as modelos plus size nas redes sociais e meu marido perguntou se eu não queria tentar a carreira. Ser modelo era um sonho que eu tinha, mas nunca tinha levado para frente", revela. Trabalhando como vendedora, arriscou uma agência de Londrina que buscava modelos plus size. "Eu fui convidada por uma tentativa anterior, eles viram minhas fotos e gostaram, então comecei a trabalhar para empresas de Londrina e região", informa.
Nesse período, decidiu parar de tomar remédios para emagrecer. Baccarim tinha 29 anos quando começou a trabalhar na área e a participar de concursos. "Eu concorri ao Miss Brasil Plus Size Oficial 2014, meu manequim era 48, o mesmo corpo que eu tenho agora, e representei o Paraná. Ganhar o concurso me impulsionou, eu me vi feliz, contente com o que eu sou", conta.
O ânimo veio também após ter acesso a roupas próprias para esse público. "O que me incomodava nem era tanto o fato de ser gorda, mas não encontrar coisas que combinavam comigo". Quando teve acesso a marcas específicas, começou a se empolgar com o estilo. "As marcas faziam roupas para esconder a gordura, disfarçar, hoje estão preocupadas em valorizar o que cada uma tem de melhor", explica.
Atualmente, Baccarim se dedica apenas ao trabalho de modelo e viaja muito por conta disso, inclusive para fora do País. Com o sonho de modelo realizado, ela não imaginava que seriam os quilos a mais que promoveriam sua felicidade. "Eu gosto mais de mim hoje do que quando eu era magra, e as pessoas simplesmente não acreditam", revela abismada.
Uma gorda estar feliz com o próprio corpo gera debates. Algumas pessoas mencionam o fator saúde, o que Baccarim defende. "Não é porque eu sou gorda que eu não tenho saúde. Eu não estou fazendo apologia à obesidade. Não é um incentivo a ser gordo, é um incentivo a se amar", afirma.
De bem com o espelho, Marcela Baccarim é hoje uma modelo de sucesso, o que não teria ocorrido se não tivesse se aceitado e se gostado como é. "Hoje eu uso qualquer roupa, uso biquíni, não tenho mais problema com isso. Até meu relacionamento melhorou", brinca. "Mas não é da noite para o dia, foi um processo lento até entender que perfeição não existe, a pessoa só precisa ser feliz."


