Estamos em constante mutação
O Universo, o Planeta Terra e as criaturas que o habitam estão em mudança, se adaptando, construindo e ou destruindo. Somos todos ambivalentes. Se o ideal consciente é o Obi-Wan, no inconsciente irá se constelar o Darth Vader.
O Universo se mantém vivo justamente entre seus dois principais movimentos opostos: o de contração, que tende à unidade; e o de expansão, que tende à separação.
Do mesmo modo, a libido dos homens e das mulheres contém os dois anseios que se pode chamar de instintos: o de viver e o de morrer. E enquanto fenômeno energético, a energia libidinal encontra seu movimento tal qual o Universo, se não fosse por essa tensão não haveria transformações.
Quanto mais próximos estão os instintos num indivíduo quanto mais ele tende a mudar rapidamente seu comportamento entre viver e morrer. A discriminação entre eles é um avanço na qualidade de vida embora signifique que estará mais distante de sua primitividade. Porém, a grande viagem dos homens e das mulheres nesse mundo está exatamente em modificar a natureza, a de seus espaços físico e psíquico.
Permanecer na ordem primária é hoje buscar permanecer estagnado no passado. No entanto, insistir em permanecer em sua ordem atual é sucumbir feito um joguete, ora instintual ora racional.
A transformação na sequência já se manifesta em muitos casos individuais e coletivos na composição entre razão e instintos. E para tal processo é preciso um quantum disponível de energia psíquica somada ao desejo de mudar.
O indivíduo não pode ser compreendido como uma entidade estática. Se quisermos ter uma dimensão mais exata do indivíduo teremos de inseri-lo e contar com o fator tempo. Há aqueles que ficam sob o fascínio de seu passado; há aqueles que se cristalizam em valores apenas do presente e há aqueles que estão à frente de si mesmos.
Por vezes pensamos que os objetos que possuem poder sobre nós são apenas os exteriores, porém, igualmente importantes são os objetos intrapsíquicos com os quais estamos constantemente em contato, seja consciente ou inconscientemente.
O inconsciente apresenta imagens que deveriam ser exploradas pelo sujeito, mas a consciência diz que isso é ridículo ou moralmente impróprio. É por isso que é tão difícil se chegar aos conteúdos psíquicos e deles libertar a energia que esteve presa e roubando as forças do sujeito, originando toda ordem de neuroses.
Usualmente as pessoas sabem o que têm e o que precisa ser modificado, só não sabem como fazer. É louvável que se vá buscar a solução em medidas milagrosas. No entanto, se funcionasse, o mundo já seria um perfeito Nirvana.
O registro dos acontecimentos psíquicos que nos obstruem a energia psíquica é emocional e somente o conhecimento emocional espontâneo poderá mudar o comportamento do sujeito.
Permanecer alerta sobre o jogo das sombras exige um quantum de energia psíquica que nem sempre o sujeito deseja disponibilizar, preferindo fazer economia psíquica e permanecer, sobretudo, no auto-engano.
Sonia Lunardon Vaz
Psicóloga analítica junguiana e psicoterapeuta corporal





