"Quando fiz o primeiro voo solo, foi um dos momentos mais marcantes da minha vida", diz Bernardo Mendes. Veja vídeo utilizando a tecnologia de Realidade Aumentada
"Quando fiz o primeiro voo solo, foi um dos momentos mais marcantes da minha vida", diz Bernardo Mendes. Veja vídeo utilizando a tecnologia de Realidade Aumentada | Foto: Fotos: Gustavo Carneiro



Ter asas, voar, ser livre. O ser humano, em sua natureza, não teve a sorte de adquirir membros que permitam o voo. No entanto, o desejo é tão forte, que o homem continua estudando para suprir essa ausência. Apesar da polêmica sobre quem inventou o avião, ele já está há mais de um século colocando pessoas nos ares, portanto, há mais de um século criando profissionais que escolheram o céu como escritório.



Em Londrina, o Aeroclube é uma das escolas que tem a responsabilidade de formar profissionais na área da aviação. "Nós somos uma instituição sem fins lucrativos e já formamos pilotos espalhados em todo canto do mundo. Atualmente, são 200 alunos por ano entre os cursos de piloto, mecânico e comissário", conta a gerente administrativo Gisele Foz Moraes. Segundo ela, a escola possui alojamento para receber alunos que vêm de outros locais. "Nós já recebemos pessoas até da África, vem gente de todo canto do mundo", informa.

A explicação para tantas formações é de que voar é um mistério para muita gente, o que faz as pessoas se interessarem ainda mais. "É contagioso. Eu entrei aqui como atendente em 1998, depois fiz o curso de mecânica, queria entender como uma coisa tão grande e pesada conseguia ficar no alto", brinca.

Bernardo Costa Mendes é estudante de Ciências Aeronáuticas e aluno na formação de piloto comercial. "Quando fiz o primeiro voo solo, foi um dos momentos mais marcantes da minha vida. Você fica sozinho, é uma sensação de liberdade. É um dia importante, é como passar no vestibular. Eu abracei a minha mãe e chorei", relembra.

O curso trabalha com o sonho de muita gente, no entanto, acaba ficando em segundo plano para alguns por conta dos custos. "É o valor de uma faculdade, mas o retorno é alto também. Muitas pessoas têm esse sonho, até optam por outros caminhos, mas acabam voltando no futuro, em outra circunstância", explica a gerente.

A formação de piloto possui duas etapas. Para piloto privado, o que não te dá licença para ser remunerado na função, são quatro meses de teoria e 40h de voo, após isso, o aluno faz a prova da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) para pegar o brevê, licença para pilotar. Para comercial, o que permite trabalhar na função, é necessário um mês a mais de aulas teóricas e 150h de voo.

A curiosidade em voar e o risco da vida. Moraes conta que ter o céu na janela do escritório muda a referência de vida. "Quando você trabalha aqui embaixo há preocupação com tanta coisa... Lá em cima é só você e a máquina, isso muda a sua forma de pensar", explica a gerente, que reconhece o medo de outras pessoas, mas nunca presenciou um acidente. "Quando você está voando, você está perto de Deus", acrescenta.

Quando o trabalho faz parte do sonho, o risco se torna algo muito pequeno e não há quem faça mudar a opinião. Para Mendes, estudar aviação é mais do que conhecimento, é prazeroso. "Eu sempre quis ser piloto. Meu pai já pilotava por hobby, mas eu queria por profissão. Eu colecionava e montava aviões de brinquedo, eu comecei a pesquisar sobre o assunto e fui me aprofundando. Eu nunca tive dúvidas", afirma.

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