'Em vez de brigar, eu resolvo o problema'


Laís Taine - Grupo Folha
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'Em vez de brigar, eu resolvo o problema'
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A inteligência emocional se tornou uma das habilidades mais procuradas pelo mercado de trabalho. Neste pacote está a capacidade de se controlar para avaliar a situação e então fazer boas escolhas, ou seja, ter jogo de cintura para enfrentar uma questão e sair dela de forma que atenda as próprias expectativas e de outras pessoas que fazem parte do mesmo time. O professor londrinense Henrique Gambaro, que trabalha com desenvolvimento de pessoas, aponta a importância de se ter jogo de cintura nas organizações.


“O jogo de cintura é saber lidar com situações difíceis. Eu tenho que tomar uma decisão e tenho inúmeras variáveis que preciso agradar, devo resolver algo e não posso magoar determinadas pessoas, não posso perder cliente, preciso ter flexibilidade nas decisões. Quem dá essa flexibilidade é a análise da situação, eu tenho jogo de cintura quando tenho boa análise onde estou vivendo”, explica. Segundo o professor, essa capacidade vem da articulação entre várias questões. “É um exercício de aceitação, de compreender o outro, de empatia, de enxergar valores”, afirma.


O ambiente de trabalho exige ter essa boa convivência com outras pessoas para que todos caminhem juntos para o mesmo objetivo. “Então, esse jogo de cintura é reconhecer as variáveis, os personagens, conhecer os valores e éticas e agir de forma a não agredir nenhum deles”, ensina Vieira. Para saber se desenvolver nessas condições, o jogo de cintura depende da inteligência emocional. “Porque é ela que vai me dar o tanto que eu vou me irritar, se vou perder o controle ou não para poder ter o jogo de cintura.”


EXIGÊNCIAS


Atualmente, ter conhecimento, técnica, experiência não são mais suficientes no mercado de trabalho, é preciso deter também habilidades comportamentais (soft skills) responsáveis pelo bom relacionamento. “Nós passamos por uma época em que o processo era importante, que a técnica fazia diferença, hoje o que faz diferença é o comportamento. É preciso ter um ambiente de trabalho saudável, onde não temos conflitos, que as diferenças sejam respeitadas. O clima de organização saudável reflete na melhor entrega do serviço”, defende.


Além disso, segundo o professor, pessoas que possuem a inteligência emocional mais desenvolvida tomam melhores decisões. “Em vez de ficarem bravas, nervosas, as pessoas pegam essa energia e focam para resolver o problema, por isso a relação com o jogo de cintura. Em vez de ficar gritando, xingando, brigando, eu resolvo o problema”, aponta.


Não conviver com flexibilidade também implica nos resultados e em um ambiente ruim para o trabalho. “Eu não saio do emprego por causa do trabalho e sim pelo chefe. A desmotivação está muito relacionada ao ambiente de trabalho, quanto maior o seu grau dentro da empresa, mais jogo de cintura precisa ter, ou deveria ter, o que não é muito a regra, porque têm pessoas que só crescem pela técnica. Todos saem perdendo com isso, inclusive a organização.”


POSSO DESENVOLVER?


De acordo com o professor Henrique Gambaro, algumas pessoas desenvolvem o jogo de cintura e inteligência emocional de forma natural pela própria vivência, porém, mesmo quem ainda não tem essa habilidade tão ampliada, pode adquiri-la.


“Existem muitas formas, livros, cursos, treinamentos, imersão, mas a pessoa tem que se predispor a isso. Algumas pessoas não querem mudar e isso não combina com mercado, você precisa se adaptar. Normalmente esse tipo de pessoa coloca a culpa nos outros, o outro que não entendeu, não compreendeu ou não aceitou do jeito que ela é”, aponta.


O jogo de cintura exigido no ambiente de trabalho pode ajudar também nas relações fora dele. Ter habilidade para tomar decisões pode estar em qualquer área da vida, mas quando se trata de liderança, ter jogo de cintura é fundamental para se trabalhar em equipe de maneira saudável. 

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