Bruno Veronesi, vice-cônsul da Itália: "Minha recomendação é que as pessoas exerçam sua cidadania"
Bruno Veronesi, vice-cônsul da Itália: "Minha recomendação é que as pessoas exerçam sua cidadania" | Foto: Marcos Zanutto

Cresce o número de londrinenses que buscam informações sobre como obter a cidadania italiana. Bruno Veronesi, vice-cônsul da Itália em Londrina, conta que entre 35% e 40% dos habitantes da nossa região têm alguma ligação com a Itália e por isso a procura por informações no vice-consulado é bastante grande.

“Pela lei todo descendente já nasce italiano, este é na verdade um processo de reconhecimento da cidadania italiana. Por via administrativa, ou seja, pelos consulados, todo descendente por parte de homens pode solicitar. Se o ascendente for mulher – avó, bisavó -, só pode ser feita a solicitação se nasceu após 1948. Por exemplo, se minha bisavó era italiana e meu avô nasceu antes de 1948, a solicitação só pode ser feita via judicial, na Itália”, explica.

Os interessados em obter o reconhecimento devem montar sua árvore genealógica, começando com a certidão de nascimento do ascendente italiano, chamado de “dante causa”. De cada geração deve ser anexada a certidão de nascimento, casamento e óbito, quando for o caso. Depois, na página do consulado deve ser preenchido o formulário 6, assinado e enviado para o Consulado em Curitiba. Quando chamado, tem até seis meses para apresentar toda a documentação. “Hoje a fila de espera está em torno de três a quatro anos. Se um parente já fez isso pelo consulado, como um primo que tem um avô em comum, o processo começa pelo pai”, esclarece Veronesi.

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Cada certidão tem que ser traduzida através de um tradutor público juramentado. Por ser signatário da Convenção de Haya, todos os documentos devem ser apostilados, ou seja, ter reconhecida a firma do profissional que assinou a certidão, assim como da tradução dos documentos, o que pode tornar o processo caro.

Uma das maiores dificuldades de quem busca o reconhecimento, de acordo com Veronesi, é encontrar a comuna de origem do ascendente, já que muitas vezes ele nascia em uma comuna pequena, que pertencia a uma província maior. Já a grafia, para quem dá entrada no consulado, não é mais um problema caso a diferença seja pequena. Para o processo na Itália em geral a diferença precisa ser corrigida.

MORANDO NA ITÁLIA

Para os brasileiros que vão morar na Itália, o reconhecimento da cidadania pode ser feito diretamente lá, de forma mais rápida. Segundo o vice-cônsul, o objetivo é que as crianças possam ter acesso à escola e que os adultos possam buscar trabalho e ter acesso à saúde, por exemplo. Muitas pessoas acabam utilizando essa forma para obter o reconhecimento mais rápido, o que pode ser um risco. “Quando fazem promessas milagrosas disso, cuidado. Já foram cancelados mais de dois mil processos de cidadania por não cumprirem todas as etapas necessárias. Não é uma lei para residentes no Brasil”, alerta.

Veronesi recomenda que os brasileiros que já tiveram a cidadania reconhecida e morem no Brasil mantenham atualizado o seu estado civil e também o nascimento dos filhos. “Até os 18 anos ele automaticamente é reconhecido como italiano, após essa idade precisa dar entrada no processo. Minha recomendação é que as pessoas exerçam sua cidadania. Quando tiver uma votação, participe, resgate a cidadania italiana.”

SERVIÇO

O vice-consulado em Londrina fornece informações a todos que queiram obter o reconhecimento da cidadania, analisa os documentos, auxilia na montagem do processo e encaminha para o consulado em Curitiba. Funciona às segundas e quartas-feiras, das 9h às 12h e fica localizado na Rua Pernambuco, 872. Telefone: (43) 3323-2839. O atendimento é gratuito.

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