A instagrammer londrinense Fernanda Canezin (@desejosdananda) mostra para a FOLHA como compor alguns looks de inverno.
A instagrammer londrinense Fernanda Canezin (@desejosdananda) mostra para a FOLHA como compor alguns looks de inverno. | Foto: Fotos: Gustavo Carneiro


Quem falou que o inverno é a estação mais elegante não sabe sobre aquela sua meia colorida que usa com chinelo de dedos, nem sobre a blusa puída que você ama, mas já está cheia de bolinhas e desfiados. Os agasalhos tendem a ter custo alto e às vezes são pouco usados, pois nem sempre vem aquele frio que se esperava. Mas hoje em dia é possível se aquecer e ser elegante ao mesmo tempo, gastando pouco, investindo nas peças certas e reciclando as antigas. É a vez da moda sustentável.

Veludo molhado, textura almofadada - como as jaquetas bombers -, tricôs com estilo nórdico e peças mais bordadas com ar vintage são as sensações do inverno 2017. A personal stylist Milena Codato é quem passa as dicas sobre as novas tendências, mas a profissional acredita no consumo consciente e no reaproveitamento de peças para encontrar o próprio estilo. "A verdade é que seguir a moda cegamente está fora da moda. Autoexpressão entra como forte tendência", afirma.

Imagem ilustrativa da imagem Elegância com atitude



Para Codato, conhecer o próprio estilo e entender quais modelagens favorecem seu biotipo são as melhores formas de não ficar com o visual datado, por isso é importante considerar o que faz sentido para cada indivíduo, de forma autêntica e independente. Neste critério, é possível fazer várias combinações e reaproveitar peças de invernos anteriores, como também de outras estações. "As roupas de verão e outono podem ser usadas no inverno fazendo sobreposições, sempre a mais leve embaixo da mais pesada", explica. O uso de acessórios também pode mudar o visual, como cachecóis, pashminas, lenços e chapéus.

Investir em peças "coringas" também pode auxiliar em uso duradouro. Jaqueta de couro, jeans e tricôs de boa qualidade, blusas de seda, blazers, podem até custar caro, mas duram bastante. A personal stylist afirma que essas são peças estratégicas para se ter um bom "guarda-roupas cápsula" (15 peças coordenáveis entre si), a cada estação se insere uma ou duas peças da moda que fazem sentido para quem vai usá-las. As peças precisam ser úteis e ter praticidade no uso, além de o dono ou dona precisar gostar muito, já que vão fazer parte do visual por bastante tempo.

Imagem ilustrativa da imagem Elegância com atitude



Se ainda assim fica pesado gastar com boas peças, os brechós e customização surgem como grandes opções. "Já produzimos e possuímos tudo o que precisamos e que o planeta dá conta. Antes encontrávamos peças vintage, mas hoje há possibilidades de compra de peças seminovas e com ótimos preços", indica. Atualmente, em Londrina, existem brechós que possuem peças de qualidade tanto em loja física como online. Junto com o upcycling (a customização), os recursos se tornaram forte tendência de moda, que visa cada vez mais o consumo consciente das peças.

A estação mais elegante é também a mais cara. Por isso a importância de fazer boas escolhas na hora da compra. Em brechós ou lojas convencionais, reaproveitar peças de invernos passados ou até mesmo de outras estações pode sim ajudar na hora de montar o próprio estilo e promover a autoexpressão. Sobre as peças que serão retiradas de circulação, é possível revendê-las ou doá-las, há sempre alguém interessado ou necessitado de um agasalho mais quentinho.



Velharia, não. Estilo

A comerciante Luciana Justo: brechós são opções para garimpar peças de inverno com preços mais acessíveis
A comerciante Luciana Justo: brechós são opções para garimpar peças de inverno com preços mais acessíveis | Foto: Saulo Ohara


Com o país em crise e a nova consciência de consumo, os brechós se tornaram boas opções de economia e de sustentabilidade. Luciane Justo, proprietária do 5ª Avenida Brechó, em Londrina, acredita que o conceito muda quando a pessoa passa a conhecer a loja. "Muitos clientes e fornecedores da região tinham curiosidade, porque nunca tinham entrado em um brechó. Quando entraram, acabaram levando uma peça ou outra. O preconceito é de quem não conhece", afirma.

A ideia de um brechó com roupas muito usadas e desgastadas está mudando para peças seminovas, de boa qualidade e bom preço. Com anúncios em rede social, a loja conquistou vários clientes pelo bolso e pela forma de comércio. "Aumentou o número de clientes e fornecedores com a crise, pois é uma saída econômica para quem quer vender e para quem quer comprar", explica. Em um local como este, um look de inverno, com casaco de lã, blusa e calça, pode sair por R$ 120. As botas vão até R$ 80.

Há também quem prefira este tipo de comércio não apenas pela economia, mas pela forma de ver o mundo. "Nós temos clientes que só compram em brechós, mas não são só em roupas que eles veem essa necessidade, é o estilo de vida mesmo. Eles até trazem a própria sacola", afirma. A revolução fashion vem com grandes debates acerca da sustentabilidade e cadeia produtiva da moda, promovendo grandes eventos pelo Brasil e mundo.

Com esse novo conceito e modo de consumo, a venda de artigos usados se expandiu também para o mundo virtual. Algumas ideias sugerem a consciência de consumo, como guarda-roupas compartilhados em planos mensais e troca de roupas por meio de aplicativos para smartphones. Atualmente, também é possível encontrar muitas lojas do segmento em sites ou redes sociais, tornando o comércio mais acessível, sem a necessidade de garimpar tanto. (L.T.)

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