'É tetra! É tetra!'
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sábado, 16 de fevereiro de 2019
Lais Taine<br>Reportagem Local 

Em 1994, Baggio encarava Taffarel para o que foi o chute fatal para a Itália e de forte excitação para o Brasil. Transmitir a Seleção Brasileira na conquista do tetracampeonato pelo rádio tinha uma dose de extra de emoção. José Mateus Lima (Jota Mateus), 71, viveu momentos históricos no esporte, poucos tão fortes na memória quanto este. Na década de 1990, elenca a cobertura das três Copas, a triste notícia da morte de Ayrton Senna e a campanha histórica do Londrina Esporte Clube.
A primeira Copa da década não rendeu títulos à Seleção Brasileira de Futebol, mas para o radialista o evento teve um gostinho a mais por ser a sua primeira cobertura da competição, o mesmo vale para as Olimpíadas de 1996. Tirando essas questões pessoais, é 1994 que fica na memória. "Quando foi o pênalti do Baggio, que ele errou e não dava mais para a Itália alcançar o Brasil, aí é claro, foi aquela gritaria. Você realmente extrapola na emoção, no grito. Primeiro que você está transmitindo para brasileiros e segundo porque você também tem o mesmo sentimento que tem o torcedor numa hora dessa", conta com a mesma vibração da locução esportiva.
Neste mesmo campeonato, o Brasil jogou contra os EUA, os anfitriões que perderam em plena data comemorativa: 4 de julho, Dia da Independência dos Estados Unidos. Bebeto e Romário foram os personagens da década, quem não se lembra da comemoração de Bebeto que ninava uma criança em homenagem a seu filho Matheus?
Mas o ano não foi só de ganhos. "Foi a melhor fase do Brasil no automobilismo, então todo mundo torcia. A morte do Ayrton Senna foi uma comoção geral. Nós demos a notícia no rádio, mas a grande maioria estava vendo na televisão. Foi triste, a gente lamentou. Outro momento em que a gente deixa de ser profissional, tem que ter firmeza, segurança, mas em um fato triste desse o coração fala mais alto", afirma.
O silêncio que ficou na cidade com a notícia da morte de Senna, em 1º de maio de 1994, teve sua redenção com a conquista do Tetra, meses depois. "Acabou o jogo, o londrinense de imediato, vestindo sua camisa, levando sua bandeira, fez carreata, teve desfile. A avenida Higienópolis foi o palco principal da comemoração do tetracampeonato", recorda.

A década trazia bons frutos. O Londrina foi Campeão Paranaense em 1992 e no ano seguinte fez a melhor campanha da sua história na Copa do Brasil, ganhando do Operário, de Campo Grande-MS, e do Internacional, de Porto Alegre-RS. "Foi um fato importante, porque o Internacional era o grande favorito. Primeiro jogo aqui no Estádio do Café ficou 1x1 e aí veio o jogo de Porto Alegre, que, aliás, foi um dos jogos mais emocionantes que eu transmiti, porque quando nós chegamos lá, todo mundo: 'Ah, Internacional vai golear, empatou em Londrina, aqui vai ganhar de quatro, cinco, seis, no Beira Rio' e foi justamente o contrário", relembra. Depois disso, a equipe pé-vermelho foi desclassificada nos jogos contra o Flamengo.
Jota Mateus ainda relembra as cinco edições da Copa América da década, das quais o Brasil foi campeão em duas. E também das Olimpíadas de 1996, primeira e única que cobriu. A Copa do Mundo de 1998 foi quase, Brasil perdeu na final, após a saída repentina de Ronaldinho. "O Brasil foi campeão em um ano, vice no outro, ganhou duas Copas América na outra. Acho que foi uma década positiva e mostrou para o mundo jogadores como Romário e Bebeto", analisa.


