É tempo de fotografar
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 30 de junho de 2017
Francismar Lemes<br>Especial para a Folha 

Há mais do que frio fora de casa no inverno. Quer ver só? Bem, apesar da estação de esqui mais próxima estar a um sonho de consumo para a prática de snowboard ou andar de trenó só para citar duas atividades ideais com termômetro zerado , vamos dar apenas um motivo para você querer abandonar o cobertor e enfrentar as temperaturas baixas. Já ouviu falar da "hora mágica?"
É o instante mais cobiçado por fotógrafos - profissionais ou amadores de natureza. São eles que nos dão a dica de que o inverno é uma das estações mais bonitas do ano também para fotografar.
"No inverno você consegue resultados que não conseguiria em outras épocas do ano. Muitos falam da luz do inverno, o que é verdade. A atmosfera fica mais limpa, a luz reflete mais sobre os objetos, com mais contraste. As possibilidades estéticas da cidade mudam", afirma o fotógrafo e professor de fotografia Antonio Neto.
A atmosfera do inverno, capaz de produzir imagens surreais, impressiona até quem está acostumado, como o fotógrafo canadense Stevin Tuchiwsky, que vive em Calgary, a terceira cidade canadense mais populosa, com temperaturas de menos 30 graus centígrados.
As fotografias do canadense retratam paisagens que aos desavisados parecem ser de planetas alienígenas, atraindo os olhares de seguidores do artista em suas redes sociais.
Você pode dizer que para qualquer lugar que se aponte uma câmera fotográfica numa paisagem de neve deslumbrante, como as do canadense, o resultado será igualmente espetacular, mas que, para alguém que vive em temperaturas que raramente caem abaixo de zero, a equação não será a mesma.
"Não é preciso levantar muito cedo no inverno para aproveitar os raios da manhã. Você tem paisagens interessantes para fazer, como cenas rurais. A neblina dá um fog. Logo cedo, conseguimos uma outra linguagem", aponta Neto para apenas um dos muitos cenários de inverno, que não precisa de muito esforço para encontrar, bastando só abrir a porta de casa nos dias frios e se dispor a fazer uma caminhada fotográfica.
O fotógrafo explica que, nesta época do ano, a umidade relativa do ar muda, o que influencia na difração da luz, que é quando a luminosidade encontra e passa por um obstáculo, no caso os objetos fotografados.
"A cor de uma folha muda. Às vezes, vale mais a pena fotografar uma folha caída do que uma árvore toda florida", afirma.
Neto orienta que fotografar natureza é um bom começo para quem pretende sair por aí clicando.
"Para fotografar natureza, a primeira coisa importante é conhecer o ambiente que está indo para fotografar. Não adianta querer registrar girassóis nesta época do ano porque não encontrará. É necessário também aprender noções de exposição fotográfica, fotometria e foco", acrescenta.
O fotógrafo diz ainda que, em Londrina, não faltam cenários para fotografar no inverno, como o Lago Igapó, o Jardim Botânico e o Calçadão, um dos lugares que mais gosta de registrar.
Mas, e a tal "hora mágica?"
Fica a dica. É a hora preferida dos fotógrafos de natureza. Poeticamente também chamada "hora dourada", em que a luz difusa torna as cores mais suaves e contrastantes. São poucos minutos de magia, antes do nascer e do pôr do sol.


