É ruim ler, pior ainda ser vítima
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sexta-feira, 27 de julho de 2018
Lais Taine<br>Reportagem Local 

Confusões, discussões, linchamentos, humilhações são consequências de divulgação de notícias falsas. Só na Índia, em menos de dois meses, 27 pessoas morreram vítimas de boatos circulados pelo WhatsApp, segundo o Times of India. Em Londrina, Lucimara Aparecida Diniz, 42, ainda sofre com as mentiras contadas em novembro do ano passado.
Diniz teve poliomielite com menos de 1 ano de idade, hoje vive da pensão de um salário mínimo e das doações que recebe ao pedir ajuda sobre um carrinho de bebê velho em frente à agência do Banco do Brasil, no Calçadão. Por estar há muitos anos no mesmo local, seu rosto é conhecido na cidade. Fama que lhe colocou no alvo de uma notícia falsa.
"E você aí no Calçadão de Londrina dano [sic.] moedinhas pra ela comer né...", dizia a postagem. A foto de uma mulher semelhante a ela na praia, acompanhada de um homem, gerou revolta em quem acreditou que aquela pessoa era Diniz. "As pessoas apareciam aqui mostrando o celular, mas eu dizia que não era eu, não adiantava. Me xingaram. Até hoje tem gente que taca na cara como se fosse verdade", relata.
A informação correu rápido nas redes. Os meios de comunicação da cidade buscaram checar a informação e contaram a história de Lucimara afirmando não se tratar da mesma pessoa. "O braço é diferente, as mãos, o corpo é maior, a mulher tem as mãos do tamanho normal. Não sou eu. Isso me humilhou muito", defende-se.
Diniz vive com a mãe no centro da cidade. As duas dependem da caridade do londrinense que não ignora a situação ao passar por ela no Calçadão. "Preciso contar com isso, minha mãe não pode ajudar", afirma.
Tentando reverter a situação, uma vaquinha on-line foi programada para que pudesse minimizar a situação. "A falta de responsabilidade na rede fez de Lucimara mais uma vítima dos haters. Infelizmente, isso pode ocasionar transtornos por pessoas mal intencionadas", diz a mensagem no site. Foram arrecadados R$ 1.256,46, valor entregue no mês de dezembro. "Eu comprei remédio e fralda para mim e para minha mãe", conta sem ainda conhecer o mar.
Sem saber o autor da publicação, Diniz afirma ser maldade. "Não quero nem saber os motivos que levaram a pessoa a fazer isso. O Brasil é um país atrasado demais, é muita maldade gratuita", argumenta. Triste com a situação, ainda sente que vai levar o episódio com ela. "Não vai acabar, até hoje tem gente que comenta. Não tem solução, só se eu me distanciar, sair um pouco daqui", responde desanimada.


