Lucimara Diniz, 42, de Londrina, foi alvo de informação falsa no fim do ano passado e sente os efeitos até hoje: "É muita maldade gratuita"
Lucimara Diniz, 42, de Londrina, foi alvo de informação falsa no fim do ano passado e sente os efeitos até hoje: "É muita maldade gratuita" | Foto: Walkiria Vieira/16-11-2017



Confusões, discussões, linchamentos, humilhações são consequências de divulgação de notícias falsas. Só na Índia, em menos de dois meses, 27 pessoas morreram vítimas de boatos circulados pelo WhatsApp, segundo o Times of India. Em Londrina, Lucimara Aparecida Diniz, 42, ainda sofre com as mentiras contadas em novembro do ano passado.

Diniz teve poliomielite com menos de 1 ano de idade, hoje vive da pensão de um salário mínimo e das doações que recebe ao pedir ajuda sobre um carrinho de bebê velho em frente à agência do Banco do Brasil, no Calçadão. Por estar há muitos anos no mesmo local, seu rosto é conhecido na cidade. Fama que lhe colocou no alvo de uma notícia falsa.

"E você aí no Calçadão de Londrina dano [sic.] moedinhas pra ela comer né...", dizia a postagem. A foto de uma mulher semelhante a ela na praia, acompanhada de um homem, gerou revolta em quem acreditou que aquela pessoa era Diniz. "As pessoas apareciam aqui mostrando o celular, mas eu dizia que não era eu, não adiantava. Me xingaram. Até hoje tem gente que taca na cara como se fosse verdade", relata.

A informação correu rápido nas redes. Os meios de comunicação da cidade buscaram checar a informação e contaram a história de Lucimara afirmando não se tratar da mesma pessoa. "O braço é diferente, as mãos, o corpo é maior, a mulher tem as mãos do tamanho normal. Não sou eu. Isso me humilhou muito", defende-se.

Diniz vive com a mãe no centro da cidade. As duas dependem da caridade do londrinense que não ignora a situação ao passar por ela no Calçadão. "Preciso contar com isso, minha mãe não pode ajudar", afirma.

Tentando reverter a situação, uma vaquinha on-line foi programada para que pudesse minimizar a situação. "A falta de responsabilidade na rede fez de Lucimara mais uma vítima dos haters. Infelizmente, isso pode ocasionar transtornos por pessoas mal intencionadas", diz a mensagem no site. Foram arrecadados R$ 1.256,46, valor entregue no mês de dezembro. "Eu comprei remédio e fralda para mim e para minha mãe", conta sem ainda conhecer o mar.

Sem saber o autor da publicação, Diniz afirma ser maldade. "Não quero nem saber os motivos que levaram a pessoa a fazer isso. O Brasil é um país atrasado demais, é muita maldade gratuita", argumenta. Triste com a situação, ainda sente que vai levar o episódio com ela. "Não vai acabar, até hoje tem gente que comenta. Não tem solução, só se eu me distanciar, sair um pouco daqui", responde desanimada.

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