E quando comprar vira doença?
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sábado, 24 de novembro de 2018
Érika Gonçalves <br> Reportagem Local 
Que tipo de consumidor é você: aquele que compra só quando precisa de algo novo, que não perde uma promoção ou que sempre está passando nas lojas para conferir as novidades? Ninguém nega que o ato de comprar é prazeroso, mas é preciso haver um equilíbrio nessa equação.
A neuropsicóloga Lucilene Garcia de Farias, de Curitiba, diz que se há uma dependência na compra é preciso ficar alerta. "O que nos move é o comprar. O que diferencia o comportamento saudável da doença é como impacta de forma negativa na minha vida. O patológico é quando traz sofrimento. Na Organização Mundial de Saúde há patologias associadas a isso, como transtornos de ansiedade e transtornos obsessivo-compulsivos", explica, destacando que nem todos que têm TOC irão se tornar acumuladores.
A pessoa que tem algum tipo de transtorno, segundo a especialista, vê na compra uma promessa de trazer tranquilidade, baixar uma angústia, assim como outras pessoas podem comer ou beber em excesso. Ela compra para ter um prazer momentâneo, o que também caracteriza um desequilíbrio. Em alguns casos a pessoa acaba comprando diversos objetos iguais, de cores diferentes, porque acredita que se assim não fizer algo ruim pode acontecer.
Ela recomenda que parentes e amigos observem com cuidado o acumulador, porque ele sofre. E não adianta tentar fazer com que se desfaça das coisas. O tratamento pode ser feito com psicoterapia e neuroquímico, nesse caso com o acompanhamento de um psiquiatra ou neurologista.
"Não adianta dizer para essa pessoa não comprar, assim como não adianta passar algo ruim na mão de quem rói unha. Tem que entender o que está por trás do comportamento, quais são as justificativas internas. Dar vazão para que a pessoa se abra é importante", alerta Farias.
De acordo com ela, depois de um tempo de tratamento é possível até que as pessoas se desfaçam das coisas, à medida que se sentem confiantes para fazer isso. "O acumulador é inseguro, ele usa suas aquisições como uma conquista de território."


