A cartunista Pryscila Vieira não se intimidou com as críticas ao criar Amely: "uma boneca dotada de pensamentos e sentimentos como qualquer mulher de verdade"
A cartunista Pryscila Vieira não se intimidou com as críticas ao criar Amely: "uma boneca dotada de pensamentos e sentimentos como qualquer mulher de verdade" | Foto: Leo Feltran/Divulgação


Poderia uma mulher fazer piada com algo como uma boneca inflável? A cartunista curitibana Pryscila Vieira não se intimidou com as críticas e em 2005 criou Amely, "uma boneca dotada de pensamentos e sentimentos como qualquer mulher de verdade", como a define em seu site. A personagem tem vida longa e já ganhou seu próprio livro.

"O maior erro do politicamente correto é julgar o livro pela capa, a partir de uma análise rasa. Amely é um bom exemplo. Batizei Amely por conta de Amélia, a mulher idealizada no samba de Mário Lago e Ataulfo Alves. Amely, à primeira vista, para quem não a conhece, é objeto sexual. Mas ao ler as tirinhas e se inteirar sobre o trabalho, Amely ganha dimensões humanas quando se liberta da função obrigatória de mera boneca sem voz, ao pensar e se expressar como uma 'mulher de verdade'. Isso gera identificação com o leitor tanto do universo feminino quanto do masculino, que acaba sendo doutrinado pelo viés do humor a não tratar a mulher como mero objeto. Convido os leitores da FOLHA a acessarem o site amelyreal.com para que conheçam essa boneca que foi inflada pelo sopro da vida na minha prancheta. Quem quiser, pode encomendar o livro também, pelo mesmo site", convida.

No seu dia a dia, Vieira afirma que algumas vezes acaba sentindo a interferência do politicamente correto em sua arte e que isso a incomoda quando a cobrança é excessiva. "Mas treina meu olhar por outro lado, porque me desperta empatia com pessoas e causas que eu desconheceria. Procuro tomar cuidado (ao fazer as tiras) a partir do momento que me é despertada empatia por uma causa. Meu trabalho jamais tem a intenção de ofender. Quero expansão de pensamento do leitor ao causar reflexão e também procuro causar o riso com meu trabalho. Tirinhas que eu fazia há 15 anos, eu jamais refaria hoje da mesma maneira. O discurso evoluiu e o cartunista tem de acompanhar esse movimento. Ao mesmo tempo, quando torna-se excessivo, o politicamente correto cerceia a criatividade. Com medo de desagradar a gregos e troianos, não há arte", finaliza. (E.G)

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