Do Brás para o Brasil
O Brás, bairro localizado próximo ao centro histórico de São Paulo (SP), é responsável por popularizar a moda ao oferecer roupas com preço justo. É lá que muitos lojistas de várias regiões do País buscam produtos do mercado atacadista para revender. Entre as ruas mais conhecidas, galerias e a famosa Feirinha da Madrugada, há também negócios consolidados, oferecendo estrutura e qualidade de produto.
Quando se fala de estrutura em um mercado de vestuário atacadista que recebe compradores de todo o Brasil, além de atendimento em vários segmentos, é preciso destacar a necessidade de atenção turística, com hotelaria, transporte, guias, alimentação, para que os clientes cheguem e se fidelizem entre as mais diversas oportunidades que encontram no local. Assim surgiu o Mega Polo Moda, um dos principais pontos de negócios da região.
"O Brás é reconhecido hoje como o grande garimpo de oportunidades. O bairro tem 55 ruas, 15 mil lojas, todas elas com foco para o comércio. É um exemplo de pluralidade. Começou com um português, chamado Brás, depois italianos, armênios, judeus, árabes, coreanos. Hoje já tem bolivianos, haitianos e chineses", conta Adelino Basílio, diretor comercial do Mega Polo Moda.
Para disputar mercado com essa imensidão de oportunidades, foi preciso pensar em um novo modelo de negócios que atendesse as carências do consumidor. Estrutura era uma delas. Oferecer mais de 400 marcas de vários segmentos no mesmo local, além de serviços de terminal rodoviário, praça de alimentação, transporte vip e hotel integrado foi uma estratégia que atraiu e atrai compradores de várias localidades.
Martha Pessoa, 44, saiu de Campo Novo de Parecis (MT) em busca de produtos para a sua loja que já tem mais de 11 anos. "Compro aqui, na rua Müller e também no bairro Bom Retiro. Aproveito para comprar as roupas de inverno e as promoções de verão, porque na minha região temos poucas semanas de frio", conta. A lojista vai a São Paulo a cada 50 dias em busca de novidades e aposta no conforto e na qualidade dos produtos como diferencial.
Mesmo assim, o bairro ainda carrega a pecha de vender roupa barata e não muito elaborada. "Esse Brás existe e coexiste hoje. Agora, nada tem a ver com o Mega Polo Moda, que inaugurou um novo Brás. Com a introdução do conceito de moda, mudou-se o entorno. A gente percebeu que os empresários que tinham uma lojinha humilde começaram a dobrar o pé direito, começaram a contratar vitrinistas, estilistas para produzir suas coleções. Antes era só copiar da novela. Hoje não", defende Basílio. (L.T.)





