Diversidade na passarela
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sexta-feira, 16 de março de 2018
Lais Taine<br>Reportagem Local 

Aproximar o consumidor para que ele se veja e se sinta representado. Este foi um dos objetivos do MFW24 ao colocar a diversidade no desfile. "Quando você traz pessoas da rua para a passarela, para a campanha, você aproxima isso do consumidor de maneira geral. Ele se identifica muito mais com aquilo que está sendo mostrado e se sente muito mais confortável para poder comprar e revender", afirma Rogério Wolf, produtor do Mega Polo Moda.
Dessa forma, o desfile foi estrelado pela diversidade de modelos. Gabriela Rodrigues, 19, modelo negra, comemora que esta seja uma tendência mundial. "O trabalho aumentou depois que assumi o cabelo cacheado, porque eu alisava. Quando eu assumi o cabelo, o corte, melhorou para mim. A moda é para todo tipo de pessoa, de cores, tamanhos, culturas", defende.

A modelo plus size Carina Moura, 27, destaca que é um movimento recente. "Ainda não me sinto representada, porque ainda não é igual e acho que nunca vai ser. É uma coisa que tem que crescer, mas que bom que estão olhando para a gente", afirma após contar que está apenas há um ano trabalhando como modelo. No entanto, fala sobre moda com a exigência de consumidora. "Plus size não é vovó. A gente gosta de brilho, de estampa, cor, vinil", defende.
É a mesma linha de pensamento da estilista Carol Roquete, que acredita no empoderamento para que todos possam se enxergar e se apropriar de um estilo, mas que para isso é preciso que a moda represente todo tipo de pessoa. "Tem que ter de tudo, tem que ter modelo mais baixa, ruiva, negra. As pessoas têm que se sentir confortáveis. Modelo não tem que ser alta e magra. Não! Ela tem que ter atitude e essa atitude vem de dentro", afirma.
O modelo, ator e cantor Matheus Marte, 21, é negro e está há cinco anos trabalhando na área. Ele afirma que entrou no mercado em um período que essa diversidade já estava se estabelecendo, mas vê um aumento. "Isso é ótimo. Esse aumento não é só positivo quanto necessário", afirma. Sentindo-se representado e representante, ele sabe da importância do seu trabalho. "Recebo mensagens todo dia do pessoal agradecendo a representatividade", orgulha-se.
Responsabilidade social
A moda é um segmento em que muitas questões sociais são discutidas, desde o material utilizado até a mão de obra explorada. Para estar de acordo com o meio ambiente e firmar o compromisso moral e social, o diretor comercial Adelino Basílio conta que além da documentação exigida para que a empresa instalada no Mega Polo Moda esteja dentro das leis, há também o projeto PanoSocial.
"Eles usam algodão ecológico, tinta ecológica, mão de obra de ex-presidiários para voltar a dar dignidade a essas pessoas. Tomara que isso se alastre para vários empreendedores para que a gente mude o mundo mudando a pessoa no espelho", destaca. Visando a responsabilidade ambiental e social, o projeto promove a ressocialização de ex-detentos, empregando-os na produção de roupas customizadas com o uso de matéria-prima ecológica.


