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sexta-feira, 31 de agosto de 2018
Lais Taine<br>Reportagem Local 
No Brasil, o choro está em várias expressões linguísticas para representar situações do cotidiano e elas também dizem sobre comportamento. Veja algumas análises da psicóloga Amanda Vasconcelos:

"Não adianta chorar pelo leite derramado"
"A cultura usa para dar um conselho. Agora não adianta, já foi, não vai mudar", explica a psicóloga. Vasconcelos afirma que às vezes as pessoas se deparam com as impotências da vida e não sabem o que fazer diante delas. "Isso vai dizer como a pessoa vai lidar com as impotências, algumas choram, outras não. A expressão diz um pouco sobre isso e sobre lamentação", afirma.

"Lágrimas de crocodilo"
Remetendo ao choro falso, a psicóloga explica que isso depende muito da interpretação de quem observa. "O que seria um choro falso? Alguém que chora todas as vezes diante de uma briga? Alguém que utiliza o choro para lidar com situações?", questiona. Ela explica que o ser humano utiliza o choro como uma técnica de chantagem emocional desde bebê e, assim, afetar o outro. "Se por um lado tem quem reprima, tem gente que usa bastante, mas isso não quer dizer que seja premeditado, talvez seja a única forma de a pessoa lidar com a problemática da vida", afirma.
"Quem não chora, não mama"
"É relativo a um pedido, nem sempre está relacionado ao 'jeitinho brasileiro'", afirma. Segundo ela, a expressão está de acordo com a relação traçada sobre chorar por uma necessidade ou demanda. Assim, a expressão demonstra o comportamento de quem chora para ser atendido, como o bebê faz para receber o alimento.
"Engole o choro!"
"Pouco tem a ver com a saúde mental, pois não é uma expressão ou outra que vai influenciar a criança. Não é um adulto pedir para engolir o choro que ela vai parar", explica Vasconcelos. A psicóloga observa que a cultura foi modificando nos últimos 40 anos e, em consequência, na forma como os pais lidam com os filhos.
Atualmente, a exigência da interrupção do choro é vista como politicamente incorreta, mas há também a outra ponta da questão: muitos pais também não sabem lidar com a situação. "O que é pior, os que falavam para engolir ou os que não sabem o que fazer quando a criança chora?", critica. A psicóloga não defende a expressão, mas afirma que é preciso ponderar e aponta também que não dar o basta e deixar que a criança entre em um processo interminável de pranto também pode ser uma atitude negativa. Assim, afirma a necessidade de avaliar cada caso dentro do seu contexto.(L.T.)


