O asseio é uma característica da auxiliar de serviços gerais Clarice Tezza, 56. "Tenho orgulho do meu pedaço." Um banheiro que exala cheiro de limpeza, espelhos que só refletem limpeza e por mais que se procure, não há do que reclamar. Com a permanência fixa em um banheiro de uso público, a zeladora diz que é detalhista e aprendeu com a mãe as tarefas domésticas. "Nem todo mundo que usa, ajuda a manter limpo, mas eu não sofro por isso. Para viver melhor, eu parto da ideia de que cada um tem um jeito de ser e faço todas as tarefas - reponho papel, lavo as pias, vasos, higienizo com produtos que matam mesmo as bactérias e me sinto feliz - com a sensação de dever cumprido". Dona Clarice relata ainda que os que são advertidos pelo mau uso, respondem com grosseria. "Você é paga para limpar". A estudante Ana Paula Batista do Prado, 24 anos, entende a postura da zeladora. "Deve ser difícil. A gente vê cada situação que chega a ser chocante. Imagine para ela, obrigada a limpar. "Respeito quem vai usar depois de mim e quem está limpando. Para mim é automático e acredito que seja até mais difícil deixar bagunçado porque são ações tão simples que não tem como fazer diferente". Com a bolsa sobre a bancada do banheiro de um shopping, lava as mãos, passa batom, perfume e afirma: "Nem sempre é possível usar assim porque tem gente que molha tudo e simplesmente dá as costas, sem se importar com o outro. Agora mesmo encheram a pia de papel. Pra que fazer isso?", questiona. "Mas tem coisa pior e até chata de comentar", acrescenta.

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