"Os dois não nasceram de mim, mas Deus disse que a Ana Vitória e o Victor seriam nossos", diz Laura Saviani, com o marido Ruy Saviani e os dois filhos de 6 e 3 anos, respectivamente
"Os dois não nasceram de mim, mas Deus disse que a Ana Vitória e o Victor seriam nossos", diz Laura Saviani, com o marido Ruy Saviani e os dois filhos de 6 e 3 anos, respectivamente | Foto: Roberto Custódio



Incondicional ao tempo e espaço, a maternidade tem explicações que Laura Saviani, de 45 anos, compreende bem. "Este é o terceiro ano que comemoro o Dia das Mães, mas lembro que no começo, quando as crianças chegaram, tinha dificuldade de dizer desde quando estavam conosco. Para mim, estão desde que nasceram. A sensação é de que nasceram da gente", avalia a professora.

As crianças de quem Laura fala são Ana Vitória, de 6, e Victor Augusto, de 3. Depois de 19 anos de casada com o técnico em laboratório Ruy César Saviani, os dois irmãos aumentaram a família do casal, que esperou durante seis anos na fila do cadastro nacional de adoção.

"Uma noite, depois de muitas tentativas para engravidar, acordei e disse para a Laura: ‘Vamos adotar um filho’, conta Ruy, sem imaginar que seriam logo dois.

Esta história é contada a partir de duas cidades: Londrina e São João do Araguaia, no Pará, onde Victor e Ana Vitória viviam, separados entre si, cada um em uma família acolhedora, e também dos outros cinco irmãos.

Uma história de abandono difícil de contar aqui, mas que encontrou os seus momentos mais felizes em Londrina, onde os pais receberam a notícia de que teriam, inicialmente, um filho, no caso, a Ana Vitória.

"Foi um momento de espera grande, de ansiedade, um momento sofrido. Você não sabe se a criança vem mesmo, de onde ela vem. É uma gestação sem fim. Não sabe quando vai nascer. Quando o juiz ligou, o sentimento foi louco. ‘Nasceu! Como será este encontro?’ Foi um misto de alegria e euforia", lembra Laura, quando recebeu a notícia de que no Pará tinha uma criança, na época com 3 anos, esperando pelo casal.

Laura lembra que o primeiro encontro com Vitória aconteceu numa quarta-feira à tarde. "Foi a hora que a Ana Vitória nasceu para nós. Ela chegou e já abraçou a gente. O sentimento entre nós foi recíproco traduzido em um abraço apertado. Ficaríamos juntos, no Pará, durante 10 dias, até a formalização do processo", conta.

Mas a maternidade lhe reservou outras surpresas, no dia em que assinariam os papéis para trazer a menina. "No oitavo dia, no Pará, o Ruy foi formalizar a adoção no Fórum e trouxeram o Vitor. Ele estava somente de fralda. Disseram que também estava para ser adotado. A reação do Ruy foi dizer: ‘É meu’".

Ana Vitória teve que aprender a deixar ser cuidada. Laura lembra que quando chegaram a Londrina, a menina, se fosse permitido, varria a casa melhor que um adulto, e Victor estava desnutrido, tinha a cabeça torta de tanto ficar na rede. Antes separados, a irmã, assim que o viu o reconheceu.

"Os dois não nasceram de mim, mas Deus disse que a Ana Vitória e o Victor seriam da Laura e do Ruy", conclui Laura.

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