Desde a gestação
Exercer uma paternidade integral exige amor, conhecimento, empatia e boa comunicação, defende naturólogo que aprende e ensina esses dons em suas redes sociais
PUBLICAÇÃO
sábado, 10 de agosto de 2019
Exercer uma paternidade integral exige amor, conhecimento, empatia e boa comunicação, defende naturólogo que aprende e ensina esses dons em suas redes sociais
Laís Taine - Grupo Folha 

Se quando nasce um filho, nasce também um pai, o que é o homem durante a gestação? Não movido por esse questionamento, mas pelo interesse em exercer uma paternidade profunda, Tiago Koch, 36, pai da Iara, de três, iniciou o projeto Homem Paterno, que visa compartilhar conhecimento sobre o papel do pai durante e depois o período gestacional. Com um ano e meio de projeto, o naturólogo aprende e ensina em suas redes sociais e na realização de cursos e workshops pelo País.
“Tudo começou a partir das próprias necessidades individuais de entender melhor o processo gestacional”, inicia Koch. Nessa busca, se viu diante de muitas dúvidas e poucas respostas. “O foco acaba ficando na educação, na relação filho e pai, só que durante a gestação eu ainda não estava preocupado com isso, estava preocupado em como eu poderia dar suporte a minha parceira”, aponta. Os conteúdos encontrados eram, de alguma forma, direcionados às mulheres, como dicas de como se preparar para o parto ou o que sentir em cada fase. “Onde está o que o homem pode sentir? Qual o papel do homem e o que ele pode fazer além de simplesmente acompanhá-la em uma consulta?”, brinca.
Pesquisas, estudos e conversas com profissionais da área contribuíram para esse processo de conhecimento, método que ele acredita ser a melhor forma de difusão de ideias, aprendido em parte no movimento pelo parto humanizado, o qual Koch defende, mas o gatilho primordial para o início do projeto foi o encontro com grupo de homens. “Não era um grupo de paternidade, mas de masculinidade, que falava sobre sentimentos, emoções, dentro de um espaço seguro e ético”, menciona.

QUATRO PILARES
No processo de descobertas, Koch identificou quatro pilares da paternidade. “Antes de sermos pais, somos homens e isso traz uma bagagem muito grande. O que eu quero replicar enquanto homem e enquanto pai?”, questiona. Amor, conhecimento, empatia e boa comunicação são os pilares citados por ele para uma paternidade que ele chama de integral. “Não gosto do termo paternidade ativa. Na minha cabeça, fica muito relacionado às ações e eu fico com receio de que nós, homens, de forma racional, caiamos em mais um checklist para ser paizão: lavar a louça, trocar a fralda, dar banho... O que já é muito positivo, mas eu vejo que é muito mais que isso. Eu queria mergulhar nesse processo de forma integral, eu uso essa expressão porque para mim paternidade é uma forma de ser”, defende.
Por conta disso, nas discussões sobre o papel do pai durante a gestação, não indica o que cada um precisa fazer para estar presente de maneira prática, pois considera ser um processo individual para cada um. “Esses quatro pilares são a base. Buscar conhecimento para entender o que essa mulher está vivenciando e não deslegitimar o que ela está sentindo: uma dor, uma dúvida... Quando você busca entender e conhecer, vai gerar segurança para si e para a parceira”, aponta.
EXPERIÊNCIA
Foi com o nascimento de Iara que o naturólogo entrou de cabeça nesse desafio de paternidade integral. “Caiu a ficha que a paternidade começa dali e quanto mais eu vivenciasse essa paternidade profunda, eu conseguiria estabelecer um vínculo com a minha própria filha”, afirma. Sentimentos como medo e ansiedade foram comuns, assim como os pais que querem descobrir essa forma de conexão. “Está atrelado ao desconhecimento, porque isso de o homem estar presente no parto e durante a gestação é algo muito recente, então o universo do parto é nebuloso para nós e gera medo”, afirma.
Aos que desejam desenvolver essa conexão e exercer paternidade integral, ele indica a procura por grupos de discussão formada por homens, sejam pais ou não. “Buscar essa rede de apoio masculina pode ser muito importante para vivenciar esse processo de forma mais leve, entendendo e sendo mais empático com o outro”, finaliza.


