Descendo do salto
A indústria se esforça para transformar o sonho do calçado confortável em realidade, mas a missão não é nada fácil
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sábado, 29 de junho de 2019
A indústria se esforça para transformar o sonho do calçado confortável em realidade, mas a missão não é nada fácil
Erika Gonçalves - Grupo Folha 

O sonho de toda mulher é encontrar aquele calçado lindo e maravilhoso, que sirva como uma luva, sem apertar nem causar bolhas ou outros machucados. A indústria se esforça para transformar esse sonho em realidade, mas a missão não é nada fácil. Quanto mais bonito, maior a probabilidade dele não ser tão confortável, principalmente se beleza significar salto alto e bico fino.
Analista de serviços técnicos e tecnológicos no Instituto SENAI de Tecnologia em Calçado e Logística, em Novo Hamburgo (RS), Elenilton Gerson Berwanger explica que hoje já não se admite um projeto sem conforto. “É uma premissa para o desenvolvimento de novos calçados, mas é um desafio bem complexo unir estética e conforto. Existe um ideal estético e fazer fora dele causa um impacto. Os lojistas também não querem apostar com medo de perder vendas. Mas já se tem feito muitas coisas”, afirma.

Ele explica que a concepção de um calçado começa pela forma, que irá representar o pé durante o projeto de um novo calçado. Esse projeto tem diversas etapas: corte, preparação, costura e a montagem. O bom desenvolvimento dessa forma, com todas as medidas corretas, é imprescindível para o conforto do calçado. O desafio é que os pés não são todos iguais, havendo variação não só no comprimento quanto na largura, o que explica porque nem todos os calçados com o mesmo número causam a mesma impressão. O próprio modelo irá exigir modificações. O sapato social, por exemplo, tem o bico mais fino, por isso, acaba sendo mais comprido.
“Para exportação existem diversas larguras e por uma questão de custo isso não é feito para o mercado interno. O lojista também teria que ter mais espaço para o estoque. Para tentar resolver isso usa-se materiais com propriedades elásticas”, diz Berwanger.
Outro fator responsável pelo conforto dos sapatos é o conjunto do cabedal (parte superior), palmilha e o solado. Quanto mais macios e flexíveis forem cabedal e solado, maior o conforto. Já a parte traseira precisa ser estruturada, para dar firmeza. A palmilha pode ter pequenos cortes, chamados de talhetes, para ficar mais flexível, mas existem outras técnicas para que ela seja mais leve e flexível. Isso irá variar de acordo com a indústria e também com o modelo de calçado.
IMPACTO E MASSAGEM
Quando se busca por sapatos confortáveis há várias opções no mercado, sendo que algumas marcas já fizeram dessa característica a sua bandeira de vendas. Há desde palmilhas que absorvem impacto, massageadoras ou anti-odor, sem falar em outros entre inúmeros recursos tecnológicos para todo o calçado. O material do cabedal também faz diferença. O especialista ressalta que por ser um material natural, o couro permite que o calçado transpire, desde que não seja impermeabilizado, o que muitas vezes acontece quando é pintado.
“Se usar um couro muito duro o calçado fica pesado, não flexível. Existem couros que são mais macios do que outros, como os de origem caprina e os mestiços”, afirma, lembrando que não é permitido o uso da nomenclatura “couro sintético” para materiais que não sejam naturais. Quem prefere calçados feitos com esse material deve se atentar para a qualidade, já que alguns têm um prazo de validade de apenas três anos.
Berwanger explica que o Brasil é o único país que tem normas de conforto, porém, estas não são compulsórias. Entre os testes feitos estão o de percepção de calce, de amortecimento de impacto, de distensão da pressão plantar (pontos de impacto), pronação (verifica se o calçado influencia a forma de pisar) e temperatura.
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