"O Igapó é lindo, não trocamos isso aqui por praia. A gente faz com prazer, porque gosta da natureza, fazemos nossa parte", resume o casal Iraci e Leônidas da Gama sobre os cuidados que têm com o lago
"O Igapó é lindo, não trocamos isso aqui por praia. A gente faz com prazer, porque gosta da natureza, fazemos nossa parte", resume o casal Iraci e Leônidas da Gama sobre os cuidados que têm com o lago | Foto: Lais Taine


Caminhar no Lago Igapó II é uma atividade de lazer para muitos londrinenses, mas para Leônidas da Gama, 74, e Iraci da Gama, 78, a tarefa vai além. O casal aproveita as caminhadas matinais diárias para contribuir para a preservação do local. Da reforma de equipamentos à alimentação de aves, os dois tomam a iniciativa quando o quesito é cuidar daquele que é o cartão-postal da cidade.

Equipados de tênis, bonés, água e uma sacola cheia de comida para pássaros, eles caminham observando com detalhe o entorno, que mostram conhecer como a palma da mão. Com isso, vem a relação a rédeas curtas com o poder público. "A CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização de Londrina) veio aqui e eu já falei que estava abandonado, que precisava cuidar mais, e eles já começaram a organizar", reconhece Leônidas.

Qualquer coisa fora do lugar chama a atenção e gera cobrança. "Um dia a gente achou que tinham roubado um banco da academia ao ar livre, mas quando fomos denunciar, a própria CMTU falou que eles tinham levado para arrumar. A gente ficou esperando e eles devolveram o banco arrumado e pintado", comenta Iraci.

A relação não é apenas de observação e cobrança. Para não ficar esperando só o trabalho das autoridades, Leônidas faz o que pode. Já consertou alguns aparelhos, limpou as placas de instruções dos equipamentos e, na árvore ao lado da academia, esconde uma vassoura já surrada. "A gente varre aqui e a pendura na copa da árvore. Essa ninguém quer roubar, né?", brinca.

Um tronco caído, uma lâmpada queimada... O local vive entre manutenção e vandalismo. Mas se de um lado há quem destrói, do outro, quem constrói. A rede aumenta conforme o número de visitantes. "Como a gente está aqui todos os dias, acaba conhecendo bastante gente", explica Leônidas que cumprimenta vários em poucos minutos de caminhada. Por lá, ficam sabendo de outras ações, do advogado que plantou mais de nove mil mudas de árvores ao canoeiro que tira o lixo da água. Uma espécie de equipe de defesa.

Além da melhoria de estrutura, os pássaros comemoram. Junto com o casal, sacolas e potes cheios de frutas, milhos, quirelas, que distribuem para repovoar o local. "Tem Bem-te-vi, Pica-Pau, Pato-de-bico-vermelho e tem os peixes também". Leônidas mostra que não é preciso muito, algumas frutas são colhidas no próprio local. "Eu não compro abacate, pego aqui, corto e deixo no jeito para eles", afirma. Trabalho que, às vezes, ultrapassa os limites do lago. "Uma vez teve uma ventania e forrou o chão de abacate. Para não desperdiçar, carreguei até meu carro e levei para o asilo aqui perto", recorda a situação.

Questionados sobre o motivo que os leva a tomar essas atitudes, o aposentado que vive há 13 anos na cidade dispara. "Eu gosto muito de Londrina, invisto aqui, eu amo essa cidade. O Igapó é lindo, não troco isso aqui por praia, então, estou acompanhando a arrumação", defende. "A gente faz com prazer, porque gosta da natureza, fazemos nossa parte", argumenta Iraci.

O casal é vizinho do local, usufrui, ocupa e valoriza cada pedaço. "Nós moramos próximos daqui, aqui é paz, tranquilidade, é um cartão de visita, qualquer turista gosta. Quando eu olhei, disse: 'aqui é o meu lugar!'", comenta o aposentado. Na reivindicação do espaço, reconhece que é preciso mais que estar presente se quiser mantê-lo preservado. Com dedicação e prazer fazem um pouquinho a cada manhã em um misto de cidadania e paixão pela cidade.

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