"As crianças têm muita curiosidade sobre mim e se espantam quando eu digo que tenho mais de 2 mil anos", conta o Papai Noel, enquanto atende Valentina, 3, acompanhada da mãe, Viviane Andrade
"As crianças têm muita curiosidade sobre mim e se espantam quando eu digo que tenho mais de 2 mil anos", conta o Papai Noel, enquanto atende Valentina, 3, acompanhada da mãe, Viviane Andrade | Foto: Anderson Coelho



Todos os anos, depois de trabalhar muito fabricando brinquedos, o Papai Noel sai da neve e vem até o Brasil para ouvir novos pedidos e avaliações sobre comportamento das crianças. Neste período, fica fácil encontrar um senhor de idade vestindo vermelho, de barba e cabelos brancos, atendendo as crianças pela cidade. A magia da fábrica de brinquedos, os duendes, as renas... Todos conhecem versões da vida dele, mas o que ele tem a dizer sobre si mesmo e que histórias ele ouve?

"As crianças têm muita curiosidade sobre mim e se espantam quando eu digo que tenho mais de 2 mil anos", conta o Papai Noel, enquanto atende crianças no Catuaí Shopping. Puxam a barba, duvidam, perguntam se ele é mesmo de verdade. "Elas duvidam, mas quando me veem, ficam emocionadas, perguntam como é lá no Polo Norte e eu convido para irem lá um dia de trenó, com as minhas renas. Elas ficam encantadas", conta sorridente.

Por sair da neve diretamente para o Brasil, as roupas são desajustadas para o clima. "Não é fácil, a gente está se divertindo com as crianças, tá um calorzinho, realmente poderia ser como é no Polo Norte, mas aqui é quente", menciona.

À frente, uma pequena fila de curiosos fica à espreita tentando tirar alguma informação daquele que só aparece uma vez por ano. Momento de conversa, de falar como foi o ano e o que deseja ganhar de presente. "Algumas mães falam que os filhos não estão se comportando e quando eu pergunto, as crianças confirmam, são sinceras", ri da ingenuidade.

Valentina Andrade, 3, é uma das que não podem esperar e fica ali no canto ouvindo a fala daquele que ela nunca tinha visto tão de perto. Os pais aproveitam para fazer o primeiro registro do encontro. "Este ano o clima natalino está mais forte para a gente, porque é a primeira vez que compramos uma árvore de Natal, pois só agora ela está entendendo", conta o pai, Fábio Andrade, de Cornélio Procópio (Norte Pioneiro), a passeio com a família na cidade. Mistura de medo e encanto, Valentina aceita a bala, topa até dar um abraço e ri com a alegria de quem fez o pedido para a pessoa certa. Este ano, ela quer bonecas da Magali e Marina, da Turma da Mônica.

Como a pequena, muitas entram na magia e aproveitam para contar o que se passa em casa. As histórias que Papai Noel ouve baixinho também são de arrepiar. "Já ouvi um pedido de uma criança que queria tirar o pai da cadeia, e tem aquelas que pedem cesta básica, geladeira, fogão, micro-ondas, coisas que usam em casa, são pedidos que a gente não gostaria de ter que ouvir. Pensar na realidade delas me emociona", desabafa.

Mas Noel tem o dom, sabe lidar com crianças como ninguém e sabe puxar papo, amenizar dias ruins e diz nunca ter perdido a paciência. Bondoso que é, falou dos presentes que gostaria de dar aos brasileiros. "Que diminua a corrupção e que as pessoas sejam mais patriotas, honestas, que gostem mais do País", afirma. Boa observação para quem vem de fora, mas este presente está dentro das pessoas, não vai sair do saco do Papai Noel, por isso fica o desejo: "Feliz Natal e que 2019 seja um ano muito melhor que 2018. Ho!Ho!Ho!"

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