Nem só as longas amizades trazem sentido à vida. Na idade madura também é possível criar novos amigos. Em um grupo farto para chamar de seu, Marli Lima Brandt, a Mell, conta que descobriu na corrida uma forma de criar amizades e há três anos se sente mais feliz com as que conquistou em Londrina. "Eu morava em São Paulo e logo que cheguei tive dificuldades de me adaptar a Londrina", conta.

Mell Brandt, Andrea Ribeiro, Neide Lima, Fran Sá e Adriana Rigoni: "Nem nós imaginávamos que a amizade ia tomar essa proporção"
Mell Brandt, Andrea Ribeiro, Neide Lima, Fran Sá e Adriana Rigoni: "Nem nós imaginávamos que a amizade ia tomar essa proporção" | Foto: Gustavo Carneiro



Longe das netas e diante de diferentes desafios, fez da corrida mais que esporte e é considerada uma líder na arte de reunir pessoas e atrair também atenção para o grupo do qual faz parte. Seja pela roupa, espírito de equipe e sintonia, é um conjunto de ações que torna forte a amizade entre todas as participantes. A secretária, a representante comercial, a garçonete, a costureira, e aquela que assumiu o lar como atividade exclusiva contornam suas rotinas, se dividem na arte de ser mãe, esposa, filha zelosa ou avó e, em plena forma, encontram tempo e oportunidade para estarem juntas não só em provas de rua.

Uma vez por mês elas fazem um encontro em um restaurante, shopping ou café. "A gente se arruma, põe uma roupa diferente da esportiva e se permite conversar mais. Porque, além de estarmos em um grupo de corrida, passamos a marcar treinos extras e a afinidade foi crescendo. Não competimos e percebemos que unidas somos mais fortes."

"Algumas nunca haviam corrido e hoje
a sensação de superação é conjunta"


Do ponto de encontro que antecede as corridas de rua, dá para ver, pelas fotografias, que estão sempre juntas, uma dando força à outra para seguir. E não raro é ver, na linha de chegada, elas de braços dados a comemorar a superação. "Sim, diminuímos a velocidade, esperamos quem precisa ir mais devagar porque isso é que é gostoso. Algumas nunca haviam corrido e hoje a sensação de superação é conjunta. Vamos a provas em cidades diferentes, revezamos os carros e sabemos no olhar quando alguma de nós não está bem", diz Mell.

Ela e as amigas ficam felizes pela fama de que se destacam nas corridas e se orgulham da prática que contagia quem está de fora até nos dia em que não estão correndo. "Viemos comemorar na hamburgueria e uma moça se dispôs a fazer a nossa foto, perguntou do grupo, disse que também corria e se poderia conhecer nosso grupo. E não nos desgrudamos mais da Fran", conta Mell.

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