Verão, calor, praia, piscina... A estação das férias pede comidas mais leves e com mais poder de hidratação. Para isso as frutas são perfeitas. Saborosas, práticas para se levar na bolsa - seja do trabalho, de piscina ou praia-, refrescantes e ainda fazem bem à saúde, sendo liberadas para todas as idades. Até os pets podem se beneficiar, sempre com orientação do veterinário, claro.

Apesar de o outono ser o conhecido como a estação das frutas, a oferta costuma ser generosa durante todo o ano, ainda mais com o avanço tecnológico que produz tanto novas espécies capazes de dar frutos o ano todo quanto produtos para combater pragas. Entretanto, as frutas da época são as mais saborosas e a maior oferta faz com o preço seja mais baixo, o que beneficia os consumidores. A grande dúvida de algumas pessoas, porém, é o que realmente está na época certa já que algumas frutas podem ser encontradas durante todo o ano.

"Algumas frutas permitem disponibilidade durante todo ano em função de variedades e de estarem em diferentes regiões com condições climáticas diferentes. Bons exemplos disso são o maracujá e a pitaya que precisam de 11 e 12 horas de luz, respectivamente, para estimular o florescimento, permitindo uma entressafra nas regiões Sul e Sudeste, com preços mais altos, mas tendo produção no Norte e Nordeste que abastecem essas regiões nos períodos de entressafra", explica Eduardo Augustinho Santos, coordenador de fruticultura da Emater no Paraná.

Segundo ele, devido ao Brasil ter uma grande dimensão e condições climáticas variadas, hoje é possível produzir tanto frutas de clima frio (temperadas) quanto de clima mais quente (tropicais e subtropicais). Assim, mesmo que a condição climática local não seja a ideal os consumidores têm acesso a frutas cultivadas em outra região do país.

"Para os agricultores é melhor cultivar frutas que estejam adaptadas às suas condições climáticas e de solo, permitindo serem mais competitivos com uso de tecnologias sustentáveis. Isso permite aos consumidores terem frutas de excelente qualidade, favorecendo quem mora mais próximo aos centros de produção", destaca Santos. No Paraná, Marialva tem duas safras de uva, sendo que mais ao sul do país há apenas uma safra anual. Já no Nordeste a produção ocorre durante o ano todo. O morango, que produz frutos entre o outono e a primavera por ser uma planta de dias curtos, já tem novas variedades que permitem a produção ininterrupta.

O especialista ressalta, entretanto, que nada como consumir alimentos cultivados em suas épocas certas. "Uva, pitaya e maracujá, por exemplo, são frutas não climatéricas ou seja, colhidas verdes não atingem sua qualidade. Elas precisam ser colhidas no ponto ideal para expressar todo seu sabor. Já outras frutas consideradas climatéricas podem ser colhidas um pouco verdes que ainda amadurecem, exemplo disso são bananas, abacate e a manga. Outra vantagem é que as frutas da estação normalmente recebem menos produtos químicos. Fora das condições ideais para a fruta há mais incidência de pragas e doenças, sendo necessário a intervenção com agrotóxicos. Hoje, com o avanço da tecnologia, o cultivo protegido pode reduzir 70% a aplicação de agrotóxicos no cultivo de uva e com ensacamento em goiaba reduz em 90% as aplicações", explica Santos.

Por isso, para comprar frutas mais saborosas é importante escolher aquelas que viajaram distâncias menores, podendo ser colhidas mais próximas ao ponto de maturação. Laranja, abacaxi, amora preta, maracujá, uva, lichia, pitaya, abacate, pêssego, goiaba, poncãs, banana e acerola são algumas das produzidas no Paraná, segundo o especialista.

"Temos 30 espécies em cultivo comercial de frutas, produzimos desde coco da Bahia e também estamos começando com o mamão. Devido à diferentes condições climáticas, de solos e culturais o Estado do Paraná tem na fruticultura oportunidade de negócio. Hoje a tecnologia busca reduzir a utilização de agrotóxicos e estimular a produção orgânica e integrada, permitindo mais qualidade ao alimento e sustentabilidade aos meios de produção."

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