Contornando as diferenças familiares
PUBLICAÇÃO
sábado, 23 de dezembro de 2017
Érika Gonçalves<br>Reportagem Local 
Final de ano é sinônimo de família reunida. E isso pode significar também diversos momentos, no mínimo, delicados. Sempre tem um parente que fala demais e acaba dizendo o que não devia, aquele que bebe além da conta e causa confusão, o tio que insiste em fazer perguntas inconvenientes.
Algumas pequenas atitudes, porém, podem garantir a harmonia familiar. Kellen Escaraboto Fernandes, psicóloga do Instituto de Análise do Comportamento em Estudos e Psicologia, em Londrina, recomenda que se faça o exercício de parar e refletir como foi o ano e as escolhas que foram feitas.
"O Natal também vem com o objetivo forte de comemorar e fazer esse resgate da importância da vida, do nascimento de Cristo. As pessoas muitas vezes ficam em função de querer um ano diferente, uma vida nova, e eu acho que precisam parar para refletir sobre isso, até para ter um pouco mais de flexibilidade em relação a essa condição da convivência com o diferente. Quando pensamos em família, percebemos que todos são diferentes e muitas vezes não existe esse exercício de parar e refletir", diz.
Quem não consegue fazer esse exercício, pode não ir para a reunião familiar? "Na psicologia entendemos que a pessoa deve fazer a seguinte pergunta: 'Não estou indo e me sinto confortável com isso ou não estou indo porque estou fugindo de uma situação que é difícil para eu enfrentar, ou tolerar? Nem sempre a fuga é a melhor condição. Talvez a melhor condição é ir e se propor a fazer o exercício da tolerância. Isso é diferente de ir e ficar brigando, discutindo, tentando convencer as pessoas de que o que você acredita é o certo. Cada pessoa vive aquilo que acredita, ninguém está certo ou errado", ressalta.
Veja outras dicas para enfrentar uma situação difícil que possa surgir nas festas de final de ano.
Refeição
As pessoas discutem por pouca coisa, quem trouxe mais, quem trouxe menos. O que estamos ensinando nesse momento enquanto família? Se colocamos na mesa só aquilo que a gente gosta de comer, estamos ensinando que o outro não precisa ser valorizado, que a diferença não precisa ser valorizada. Se eu tenho alguém com restrição alimentar e não estou preocupada, qual o valor disso? As pessoas que não gostam ou não podem comer as mesmas coisas que nós não são importantes?
Religiões diferentes
Cada vez mais precisamos vivenciar com nossas crianças e jovens o exercício da aceitação, daquilo que é culturalmente diferente do que eu vivo. Quando a família já sabe que dentro do contexto familiar tem pessoas de outras religiões ou que são ateus, o que podemos fazer que não vai agredir nem ofender ninguém? Cada família vai descobrir o seu jeito. Pode fazer um momento de agradecimento pela vida. Ou um momento de agradecimento por estar em família. Se tem alguém de religião diferente, perguntar como faz esse momento naquela religião.
Desavença entre familiares
O ideal é que as pessoas conversem antes sobre os problemas. E não convide alguém de surpresa, sem falar para o outro. Aí entra a tolerância. O que os filhos têm que entender é que é muito difícil e inadequado exigir que uma mãe escolha um dos filhos. Se ela quer convidar todos, aquele que não se sente confortável pode optar por não estar e arcar com as consequências. Inadequado é colocar essa responsabilidade para a mãe. Mas não vá conversar com aquela pessoa sobre os problemas naquele momento. Se você sentiu que ficou com muita vontade de falar algo para aquela pessoa, vá embora.
Casais e suas famílias
É uma nova família se formando e como vai ser o "nosso" Natal? Deve haver um acordo a partir do que os dois entendem como importante. Pode passar o Natal com a família de um e o Ano Novo com a do outro. O ideal é haver uma concordância para que haja um tempo com cada família e de que os dois tenham um tempo para eles enquanto casal.
Pais divorciados
Dependendo da idade, a organização deve ser feita pelos pais e com todo o cuidado. Todos querem passar as festas com as crianças. Algo complicado é os pais quererem compensar a separação com presentes ou pais que não se dão muito bem quererem ganhar a criança com presentes. Independentemente dos pais estarem separados, se possível, o presente deve ser comum. E mais do que presente, a criança precisa de afeição, então, reserve um tempo para ficar somente com o filho. No caso dos filhos maiores, a partir de dez anos, vale consultá-los.
Adote um amigo
Há muitas pessoas que vão passar as festas longe da família, por diversas razões. Convide essa pessoa para a sua casa, ela vai se sentir acolhida nessa data tão especial.


