Confraternizações sem gafes
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sábado, 23 de dezembro de 2017
Lais Taine<br>Reportagem Local 
"O meu amigo secreto é baixinho, barrigudo e ronca muito". Se você não quer estragar o momento da brincadeira, é bom maneirar o tom. Confraternizar com a família pode gerar várias gafes, mas há como evitar aborrecimentos. Veja as orientações de etiqueta para as brincadeiras em família.
Amigo da Onça, Amigo Temático, Amigo Ladrão... São várias versões do tradicional Amigo Secreto ou Oculto. Nem todos gostam, mas é difícil escapar de um durante a vida. "Você até pode negar de participar, mas não é o ideal. É muito mais educado participar (quando se é convidado) e fazer parte da confraternização", recomenda Elizabete Côrtes, consultora de etiqueta.
A profissional explica que, mesmo não tendo intimidade com todo o grupo, o momento é bom para se conectar ou passar pelos problemas que podem ter ocorrido entre os envolvidos. "É um momento de nos aproximarmos das pessoas que não temos tanta afinidade", orienta. Por isso, se você entra na brincadeira, deve também respeitar e ir até o fim. Nada de fazer trocas no sorteio ou contar para outras pessoas quem você tirou.
A brincadeira é boa para que todos se divirtam e saiam com algum presente sem pesar para ninguém. Mas em épocas de crise, a organização do evento pode contribuir estipulando um valor baixo. "É mais um desafio para mostrar que conhece a pessoa e encontrar o que ela gosta. E é uma brincadeira saudável, para famílias é até mais legal assim do que os tradicionais, pois exige criatividade e aproximação", defende.
A consultora não é a favor da lista de presente. "Se você diz o que quer ganhar, não é secreto. Você pode colocar no mural algo que eu não conheça ou que seja caro, pode acabar aborrecendo. Deixa de ser brincadeira para algo estabelecido."
Estabelecido pode ser o valor, portanto, não o ultrapasse, mesmo que queira agradar.
É comum também receber aquele presente que não tem muito a ver com sua personalidade, mas nada de dizer que não gostou. "Você agradece, leva para casa e depois resolve o que vai fazer", diz a consultora, que orienta também a não perguntar a possibilidade de troca durante a festa ou na presença de outras pessoas.
"Esqueceu o presente, vai buscar! Nem que seja um improviso, não dá para dizer que não comprou. Fica mais chato para quem esqueceu que para quem ficou sem receber", explica. Presentes neutros sempre são coringas e a consultora indica tentar buscar alguma característica do amigo. "Vinho, chocolate, flores. Não dê livros de política ou religião, é difícil acertar com coisas específicas para quem você não conhece muito."
Outra questão é a revelação. Cuidado com as descrições, segundo Côrtez, algumas características podem passar uma má impressão. "O anúncio tem que ser baseado em coisas boas. Falar se a pessoa gosta de viajar, que é atenciosa, que sempre cumprimenta a todos". Ao mesmo tempo, elogios excessivos podem soar como falsidade ou bajulação, por isso, a indicação é elogiar com sinceridade, sem forçar a barra.
Na hora de receber o presente, não menospreze-o, abra o pacote na frente de quem teve o carinho de procurar algo que o agrade. "Se tiver um cartão, leia primeiro, agradece. Vê o presente, agradece. Porque a pessoa espera ver a sua reação", explica.
Se a família decidiu fazer o Amigo Secreto, não vale excluir outros convidados que vão participar da Ceia. Se alguém confirmou presença depois da realização do sorteio, Côrtez indica explicar sobre a brincadeira para que o convidado não se sinta excluído no dia da revelação.
As brincadeiras de fim de ano servem para aproximar e divertir. As dicas apresentadas por Côrtez são regras adaptadas das normas sociais do cotidiano, políticas necessárias para o bom convívio em qualquer situação. No final do ano, essas confraternizações unem pessoas de várias personalidades e saber lidar com as diferenças pessoais é uma forma de demonstrar maturidade e respeito para gerar bons momentos.
"Essas comemorações são para celebrar a vida. Sempre vai haver divergências, isso é normal. É dia de agradecer por estarmos ao lado. Apesar das diferenças, estamos convivendo. Que este espírito de Natal esteja em todos e acima de todas as divergências, que prevaleça a boa intenção na reunião do Natal", finaliza.


