"Quando a pessoa chega ao caos, não é uma bagunça externa que está incomodando, é a bagunça interna", diz Cereja Matsubara, personal organizer
"Quando a pessoa chega ao caos, não é uma bagunça externa que está incomodando, é a bagunça interna", diz Cereja Matsubara, personal organizer | Foto: Lais Taine



A bagunça na casa pode ser o reflexo do emocional de quem vive nela. Se as coisas não vão indo bem internamente, dificilmente elas fluirão nas diferentes áreas da vida. É o que defende Cereja Matsubara, personal organizer da Listo - Organização Pessoal, que ao lidar com uma variedade de perfis de clientes, viu que seu trabalho ia muito além de deixar os objetos em ordem.

"Quando a pessoa chega ao caos, que é quando ela nos chama, não é uma bagunça externa que está incomodando, é a bagunça interna, aquilo tira a paz da pessoa. A desorganização que está sentindo pode ser uma tristeza, angústia, ansiedade que vai transbordar isso externamente", conta. Por isso, é preciso, além de técnicas de organização, ter um respeito, compreensão e empatia para que as coisas tenham realmente uma função de melhorar a vida daqueles moradores.

Para que a pessoa consiga transformar a energia da casa, na maioria das vezes, é preciso desapegar de alguns objetos e isso exige avaliação da relação da rotina com os itens que possui. "A pessoa contrata querendo uma solução, que alguém resolva aquilo para ela, mas a solução não é só encaixotar e deixar aquilo bonitinho. A solução, muitas vezes, tem que ser arrancada de dentro. Não adianta deixar tudo lindo para depois bagunçar tudo, por isso é preciso ouvir a opinião do cliente, os hábitos e seus costumes", afirma.

Matsubara entende que seu trabalho entra na intimidade das pessoas e observa que se há patologias é preciso indicar outros profissionais que vão poder ajudar. No entanto, conta que às vezes o que falta é uma conversa franca para que a pessoa possa compreender seu próprio universo. "Conforme você vai organizando, vai desapegando, porque vê que não é aquilo que te traz felicidade, não é a posse nem o ter que vai fazer isso por você. Não faz sentido uma pessoa ter 30 blusas iguais."

E se a casa muda, a energia também. Tradição respeitada entre os orientais, a renovação dos ares permite que a casa flua em harmonia e traga um novo olhar ao estabelecer regras para uma vida mais simples. "Aqui está tudo que você precisa, se chegar algo novo, outra coisa vai ter que ser retirada. Isso vai fazer a pessoa pensar na hora da compra. Ela até compra, mas já que vai ter consequência, que seja uma substituição por algo melhor, de qualidade, e passa a ser mais seletiva", explica. E do que sai, vale o aprendizado de doar para alguém ou vender em brechós ou bazares, para que aquele objeto faça outra pessoa feliz.

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